Com importações e estoques em alta, vendas de aço devem cair 4,2% no 1º trimestre
Durante o mês de fevereiro, as vendas de aços planos contabilizaram alta de 1,1% quando comparadas a janeiro, atingindo o montante de 297,2 mil toneladas frente a 293,9 mil toneladas do primeiro mês do ano. A alta, no entanto, não deve contribuir para um bom resultado no primeiro trimestre do ano, já que a expectativa do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é de queda de 4,2% nos três primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado.
Mesmo com projeção de elevação de 15% nas vendas para março, a expectativa do Instituto é de um trimestre com resultados aquém do ano passado. A justificativa do superintendente da entidade, Gilson Bertozzo, é que os estoques de aço no País seguem elevados, fato que tem preocupado o setor.
O volume acumulado gira em torno de 1,13 milhão de toneladas contra 1,12 milhão de toneladas no mês passado, uma expansão de 0,8%, o que corresponde a quase quatro meses de comercialização. O nível que a entidade considera aceitável é de três meses de estoque.
Perspectivas para o segundo semestre
Para Bertozzo, as vendas só melhorarão no segundo semestre, quando os estoques de aço que estão nas mãos dos importadores forem reduzidos. “Acredito que teremos uns três meses de expurgo que tirarão do mercado os aventureiros”, afirmou.
O superintendente do Inda explica que a partir da redução dos estoques de importações, já com os efeitos das medidas antidumping, a indústria brasileira tem espaço para recuperar, ajustar preços e apresentar melhor desempenho.
“Estamos sustentando ainda que este ano será melhor do que 2025 e teremos um crescimento de 1,5%. Acreditamos que as medidas do governo foram acertadas e isso, a médio prazo, proporcionará um efeito positivo para nós”, afirmou.
Importações de aço seguem em alta
Ainda de acordo com os dados do Inda, as importações do aço no Brasil continuam em alta. No segundo mês do ano, o acréscimo foi de 91,7% se comparado ao mesmo mês do ano anterior.
Parte desse efeito foi justificado em função do calendário, já que o Carnaval do ano passado não ocorreu em fevereiro, deixando o mês de análise, em 2025, com mais dias úteis. Comparando as importações de fevereiro com janeiro deste ano, a alta foi de 79%, com volume total de 404,8 mil toneladas contra 225,6 mil.
Outro motivo apresentado pelo superintendente do Inda para a alta é o fato de as importadoras terem antecipado a nacionalização de muitos produtos. “Em função das ações antidumping aplicadas pelo governo, as importadoras anteciparam a nacionalização dos produtos que estavam nos estaleiros e nos portos. Além disso, soubemos que muitos navios ainda em trânsito também tiveram seus produtos nacionalizados pelas importadoras, com vista aos preços praticados antes do antidumping”, comentou Bertozzo.
Guerra do Oriente Médio pressiona frete e eleva preço do aço
A escalada das tensões no Oriente Médio foi outro ponto comentado por Bertozzo. Segundo ele, o conflito já impactou o mercado do aço, mas a expectativa é de que esses impactos percam força nas próximas semanas.
De acordo com o superintendente do Inda, o aumento da insegurança internacional tem pressionado os custos de frete marítimo e contribuído para a alta dos preços do produto no exterior. “Se analisarmos os números, os preços das bobinas no mercado internacional já cresceram. O preço mundial subiu 5% e uma das causas é o reflexo da guerra”, explicou.
Apesar da pressão atual, a expectativa do setor é de que o cenário seja temporário. “A expectativa é de que essa insegurança não dure mais que duas a quatro semanas em função dos prejuízos que esse conflito já está trazendo para os Estados Unidos”, finalizou Bertozzo.
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