Economia

Inadimplência de aluguel em Minas Gerais sobe para 3,28% em 2025

Estado registra alta de 0,22 ponto percentual no ano, mas mantém índice abaixo da média nacional; imóveis comerciais lideram a inadimplência no Brasil
Inadimplência de aluguel em Minas Gerais sobe para 3,28% em 2025
Foto: Alessandro Carvalho/Arquivo/Diário do Comércio

A taxa de inadimplência de aluguel em Minas Gerais fechou 2025 com aumento de 0,22 ponto percentual (p.p.) na comparação com o ano anterior, subindo de 3,06% para 3,28%. Apesar do avanço, os dados do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica mostram que o Estado apresentou taxa abaixo da observada na Região Sudeste (3,24%) e em todo o Brasil (3,5%).

O diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves, avalia que Minas tem apresentado bom desempenho tanto em nível nacional quanto regional. “Minas Gerais demonstra resiliência ao manter a inadimplência abaixo da média nacional e se mostra alinhada ao restante dos estados da Região Sudeste”, afirma.

Ele também alerta para a necessidade de monitorar as projeções para inflação e juros ao longo de 2026. “Qualquer elevação pode agravar a situação e aumentar o endividamento familiar nos próximos meses”, acrescenta.

Alguns fatores externos, como as bets, também são apontados pelo especialista como potenciais impactos ao orçamento familiar neste ano. Gonçalves lembra que, segundo dados do Banco Central, os sites de apostas provocaram perdas econômicas de R$ 38,8 milhões no último ano.

Inadimplência na Região Sudeste registra alta

O resultado apresentado pela Região Sudeste do País representa um crescimento de 0,12 p.p. frente ao registrado em 2024 (3,12%). Os imóveis comerciais foram os grandes destaques na região, com taxa de 4,54%, após subir 0,44 p.p. frente ao ano anterior (4,1%).

O grupo das casas teve um leve aumento de 0,07 p.p. no período analisado, passando de 3,61% para 3,68% no último ano. Quanto aos apartamentos, a taxa de inadimplência caiu de 2,27% para 2,26%, queda de 0,01 p.p. entre 2024 e 2025.

Placa de "Aluga-se" em um imóvel de Belo Horizonte.
Foto: Alessandro Carvalho / Arquivo Diário do Comércio

O resultado apresentado pela região foi o segundo menor no Brasil, ficando atrás apenas da Região Sul, com 2,89%, e à frente do Centro-Oeste, com 3,59%. Gonçalves esclarece que, apesar de essas regiões registrarem taxas mais baixas, elas tiveram aumento em relação ao ano anterior. “O que acende um alerta para essas regiões também”, pondera.

A Região Nordeste lidera o ranking nacional, com 5,15% no indicador. Em seguida aparece o Norte, que fechou o ano com inadimplência de 4,88%. Essas duas regiões se alternaram na liderança ao longo do primeiro semestre de 2025, mas, na segunda metade do ano, o Nordeste manteve o índice mais alto do País.

Imóveis comerciais se destacam no Brasil

O levantamento da plataforma Superlógica mostra que os imóveis comerciais registraram taxas de inadimplência mais altas do que os residenciais no Brasil. Esse grupo apresentou média de 4,84% em 2025, contra 2,36% dos apartamentos e 3,79% das casas.

Além disso, os prédios comerciais tiveram crescimento de 0,4 p.p. em comparação com o observado no ano anterior (4,44%), o maior aumento na comparação anual. As casas apresentaram leve alta de 0,01 p.p. frente a 2024 (3,78%), enquanto os apartamentos registraram queda de 0,08 p.p. na taxa de inadimplência em comparação com o período anterior (2,44%).

Os imóveis comerciais lideraram a inadimplência ao longo de 2025, com taxas entre 4,12% e 5,55%. O diretor de negócios explica que esse tipo de imóvel pode ser mais afetado, considerando a instabilidade econômica e os desafios enfrentados por empresas. “Isso reflete, muitas vezes, as dificuldades financeiras de empreendedores brasileiros”, diz.

De acordo com Gonçalves, o ano ficou marcado pela maior taxa de juros em quase duas décadas, com a Selic em 15%. Outro marco citado foi a perda de força da atividade econômica no Brasil após três anos consecutivos de crescimento. A expectativa de aumento foi de 2,6% em 2025, contra 3,4% em 2024.

“São fatores que impactam diretamente o poder de compra das famílias brasileiras e o pagamento das despesas. É preciso começar o ano com cuidado e atenção para manter as contas em dia e evitar problemas no futuro”, alerta.

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