Indústria da borracha cresce 2,5%, mas prevê desaceleração em 2026
Apesar dos desafios econômicos, a indústria de artefatos de borracha encerrou 2025 com crescimento 2,5% em Minas Gerais. O desempenho foi impulsionado pelo mercado favorável de clientes do setor, como mineração e automotivo.
Contudo, o setor está mais cauteloso para 2026, com expectativa de avançar entre 1% e 1,5%. O motivo está atrelado a uma conjunção de fatores, como incertezas políticas e a persistência da taxa de juros em patamares elevados, que deve afetar cadeia de clientes ao longo do ano.
As perspectivas foram detalhadas pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos e Beneficiamento de Borracha e Elastômeros no Estado de Minas Gerais (Sinborminas), Élcio Fortunato.
Segundo ele, além da economia, o setor teme o impacto de eventos do calendário, como Copa do Mundo, eleições, além de um maior número previstos de feriados em dias úteis. “Isso acaba prejudicando a cadeia produtiva, e por isso projetamos um ano de crescimento um pouco abaixo do registrado em 2025”, argumenta o dirigente.
Embora apresente desafios, a proximidade com cadeia extrativa é encarada como um importante diferencial competitivo para Minas Gerais. O Estado, de acordo com Fortunato, abriga uma diversidade de empresas capacitadas para atender o perfil de demanda da mineração e, ao mesmo tempo, se destaca com um polo automotivo forte, que prioriza compras internas por tributações e incentivos fiscais.
Dentre as regiões, o setor aposta fortemente na Grande BH, onde estão a maioria das indústrias, além do polo automotivo em Betim, um dos maiores do País. Ainda assim, o interior de Minas Gerais possui relevância na demanda por artefatos de borracha.
“É um mercado bem pulverizado. Além da região de Belo Horizonte, temos Uberlândia, Extrema e Governador Valadares em destaque”, pontua o dirigente.
Cadeia de insumos importados tende a ser mais afetada
Com relação às commodities, a expectativa é de um mercado sem excessos, com preços mais equilibrados, especialmente na borracha natural, que é a matéria-prima de maior peso do setor. Segundo Fortunato, o ponto de atenção está nos insumos importados, como a borracha sintética e aceleradores, que ficam expostos a flutuações no câmbio, tarifas e demais instabilidades políticas.
“A matéria-prima importada vem em grande parte da Ásia e depende do mercado externo. Qualquer oscilação nesses fatores pode pressionar diretamente o nosso custo e afetar o negócio”, acrescenta.
No mercado automotivo, a maior preocupação do segmento é com o avanço de veículos elétricos importados, que prejudica a cadeia produtiva da borracha no País. No último ano, o segmento acumulou crescimento de 41% em Minas Gerais frente a 2024, totalizando mais de 12 mil emplacamentos.
Já na mineração, a expectativa é mais otimista. “A dinâmica é mais previsível, com contratos firmes e uma demanda mais estável, o que diminui o risco de oscilações abruptas”, conclui o dirigente.
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