Com impactos sazonais e da taxa de juros, indústria mineira fecha 2025 com queda na produção
O índice de evolução da produção da indústria mineira, medido pela Sondagem Industrial, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), marcou 36,6 pontos em dezembro de 2025. Isso significa que a atividade industrial retraiu no período, visto que a pesquisa estabelece os 50 pontos como limite entre recuo e crescimento.
Essa foi a segunda queda consecutiva do indicador. Além disso, o resultado negativo se intensificou na comparação com novembro, quando atingiu 40,4 pontos, e também no confronto com o último mês de 2024 (40,9 pontos).
A coordenadora de Pesquisa Econômica da entidade, Daniela Muniz, explica que a sazonalidade afetou o setor, algo que já era esperado. Tradicionalmente, a produção industrial é mais fraca em dezembro, em razão da menor demanda do comércio. Várias indústrias aproveitam o mês, inclusive, para conceder férias individuais e coletivas.
Conforme ela, acrescem aos impactos sazonais os efeitos defasados da elevada taxa de juros, que começaram a aparecer nos últimos meses de 2025, desacelerando a atividade econômica. Desde junho, a Selic está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas.
Nível de empregos, uso da capacidade instalada e estoques
Também influenciado pela sazonalidade, o índice de evolução do número de empregados do setor industrial recuou em dezembro do ano passado, ao marcar 44,1 pontos. Outro indicador a ficar abaixo dos 50 pontos, o que acontece desde novembro de 2020, foi o de utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual para o mês, com 39,1 pontos.
Ainda segundo a pesquisa, pelo quinto mês seguido, os estoques de produtos finais e o patamar do estoque efetivo frente ao planejado diminuíram. Os indicadores marcaram, respectivamente, 48,2 pontos e 49,5 pontos. Daniela Muniz afirma que esses resultados demonstram que a indústria está operando com cautela na recomposição da produção.
Especificamente sobre o estoque real em relação ao que os empresários planejaram, apesar de a pontuação em dezembro representar queda, houve avanço se comparado a meses anteriores. Com isso, o índice se aproxima dos 50 pontos, sinalizando maior alinhamento entre estoques e planejamento produtivo, segundo a coordenadora da Fiemg.
Setor industrial está insatisfeito com as condições financeiras
A Sondagem Industrial de dezembro também apurou indicadores trimestrais da indústria de Minas Gerais. No quarto trimestre de 2025, os índices de satisfação dos empresários com o lucro operacional e com a situação financeira de suas empresas registraram níveis de insatisfação, ao marcarem as respectivas pontuações de 41,1 pontos e 48,5 pontos.
Os industriais ainda demonstraram descontentamento com as condições de acesso ao crédito, com o índice marcando 43,5 pontos. A taxa de juros mantida em alto patamar por um período prolongado influenciou esse resultado, conforme Daniela Muniz.
“A Selic elevada encarece o custo dos financiamentos e restringe a tomada de crédito pelas empresas. Também afeta a demanda, porque muitas pessoas dependem de financiamento para comprar alguns tipos de produtos”, explica. “Além disso, o aperto das condições bancárias e o aumento do risco de inadimplência têm dificultado o acesso ao crédito”, diz.
Assim como nos três trimestres anteriores, os empresários apontaram na pesquisa que, no último trimestre do ano passado, o principal obstáculo enfrentado por suas empresas foi a alta carga tributária, um problema crônico do Brasil. A falta ou alto custo de trabalhador qualificado ficou na segunda posição da lista de dificuldades do setor industrial mineiro.
Expectativas otimistas, mas cautelosas, para os próximos seis meses
Para o futuro, a indústria mineira demonstrou otimismo, no entanto, em níveis cautelosos. Conforme a Sondagem Industrial, os índices de expectativa de demanda para os próximos seis meses e de compra de matérias-primas marcaram 52,1 pontos e 51,5 pontos, respectivamente, em janeiro, sinalizando expansão, porém, ficaram próximos dos 50 pontos.
Por outro lado, o índice de expectativa de números de empregados marcou 49,1 pontos. Já o indicador que mede a intenção de investimento do empresário registrou 57,2 pontos.
Ouça a rádio de Minas