Economia

Indústria de transformação de Minas puxa crescimento de faturamento em fevereiro

Aumento foi impulsionado pela indústria de transformação, apesar de retração em outros setores e incertezas globais
Indústria de transformação de Minas puxa crescimento de faturamento em fevereiro
Foto: Divulgação Gerdau

O mês de fevereiro foi mais produtivo e apresentou resultados melhores do que janeiro para a indústria mineira. O segmento registrou crescimento de 2,1% no faturamento em comparação com o primeiro mês de 2026, impulsionado pelo aumento de pedidos na indústria de transformação.

Também houve avanço nas horas trabalhadas na produção durante o período: elas cresceram 0,7%, e a utilização da capacidade instalada subiu levemente, passando de 80,9% para 81,1%, indicando melhora pontual no nível de atividade.

O economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Arthur Augusto Dias de Oliveira, explica que houve retração em alguns setores, mas confirma que a indústria de transformação teve papel fundamental no crescimento registrado.

“Esse crescimento foi puxado pela indústria de transformação, que cresceu 3,6% na comparação mensal, enquanto a indústria extrativa mineral teve queda de 9,9%. Como a indústria de transformação tem um peso maior dentro do índice da indústria geral, o resultado geral ficou positivo, em 2,1%. Logo, a indústria de transformação performou melhor do que a indústria extrativa”, explica.

Desempenhos e guerra

Já a movimentação do mercado de trabalho teve resultados “contraditórios”. O emprego industrial apresentou recuo de 0,3% na margem, refletindo ajustes no segmento extrativo. Apesar disso, a massa salarial real cresceu 1,1%, influenciada pelo pagamento de participação nos lucros e resultados, enquanto o rendimento médio real avançou 1,6%.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os dados revelam um cenário heterogêneo: queda no faturamento e nas horas trabalhadas, mas crescimento no emprego e na massa salarial.

Para os próximos meses, o desempenho da indústria deve seguir condicionado por fatores como a política monetária ainda restritiva e as incertezas no cenário internacional, especialmente as relacionadas às tensões geopolíticas e aos preços do petróleo.

A demanda interna, por outro lado, tende a ser sustentada por um mercado de trabalho resiliente e por estímulos pontuais ao consumo, o que aponta para um crescimento moderado da atividade industrial ao longo de 2026.

“A guerra no Oriente Médio é muito incerta. Se ela se encerrar logo, como Donald Trump pretende, os impactos serão menores. O governo até adotou medidas emergenciais para tentar evitar que o preço chegue ao bolso do consumidor e ao custo da indústria. Porém, se a guerra se prolongar, essas medidas serão insuficientes e o custo chegará ao consumidor e à indústria”, comenta Oliveira.

“O consumo vai cair e a produção industrial vai cair também. Estamos falando, principalmente, do preço do petróleo e do frete. Ouço muitos relatos de empresários dizendo que o preço subiu”, completa.

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