Economia

Reajustes pressionam, e inflação avança 1,13% em Belo Horizonte em janeiro

Apesar da alta, o resultado é o menor para o mês em quatro anos, com contribuição decisiva do mercado de alimentação
Reajustes pressionam, e inflação avança 1,13% em Belo Horizonte em janeiro
Foto: Reprodução Adobe Stock

Em um mês marcado por reajustes em diferentes setores, a inflação avançou 1,13% em janeiro em Belo Horizonte. Apesar da alta, o resultado é o menor para o mês em quatro anos, com contribuição decisiva do mercado de alimentação, sobretudo do lanche, que recuou 6,79% e obteve o maior peso, ajudando a conter uma pressão ainda maior sobre os preços.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (04) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento soma 3,38%, abaixo dos 7,69% observados no início do ano passado.

Além do lanche, também houve queda em itens e serviços que ajudaram a segurar o índice, como táxi (-13,72%), tarifa de energia (-2,44%) e leite (-6,90%). Em contrapartida, reajustes em empregado doméstico (6,79%), IPTU (4,41%) e ônibus urbano (6,23%) puxaram a inflação para cima no período.

O gerente de pesquisas da Ipead, Eduardo Antunes, explica que, apesar da alta, os resultados foram atípicos para o mês de janeiro, que geralmente apresenta inflação acima de 2% em decorrência de reajustes anuais em serviços. “Não é uma inflação baixa, mas fica abaixo do padrão histórico de janeiro em Belo Horizonte, perdendo apenas para 2021, quando o indicador avançou apenas 0,93% num contexto atípico de postergações em virtude da pandemia”, avalia.

A alimentação, segundo ele, foi um dos principais destaques do mês, com recuo de 0,67% no indicador geral. O resultado foi impulsionado pelo subgrupo de alimentação na residência (-1,18%), que apresentou queda nos preços na Capital, impactado pelos produtos: alimentos de elaboração primária (-2,31%) e alimentos industrializados (-0,95%).

Apesar de encerrar o mês de janeiro em alta, Antunes afirma que a gratuidade oferecida no fim de 2025 aos ônibus urbanos que circulam por Belo Horizonte, ajudou a conter ajustes mais expressivos. “O reajuste do ônibus foi um dos pontos mais pesados do mês e a tarifa chegou a ter impacto de 8,77%, mas, com o balanceamento da gratuidade aplicado, a variação considerada acabou fechando em 6,23%”, acrescenta.

Para fevereiro, a expectativa é que outros serviços, como, a tarifa de água e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) pressionem a inflação em Belo Horizonte. Ainda assim, o cenário pode ser mais favorável, já que historicamente fevereiro tende a registrar variações mais contidas. “Como janeiro veio mais moderado, é razoável esperar que fevereiro acompanhe um ritmo mais baixo, e não dá para descartar até alguma deflação”, projeta Antunes.

Arrefecimento da inflação em 12 meses reflete efeitos de política monetária do BC

A desaceleração no avanço da inflação em Belo Horizonte nos últimos doze meses, que saiu de 7,69% em janeiro do ano passado para 3,38% em 2026, pode sinalizar efeitos da política monetária conduzida pelo Banco Central (BC). A elevação da Taxa Selic, hoje em 15% ao ano, tornou o crédito mais caro, e consequentemente mais restritivo, desacelerando tanto o consumo familiar quanto investimentos produtivos.

O economista Guilherme Almeida, explica que a redução nos aportes dos negócios, bem como no consumo familiar, observado de forma mais acentuada no último ano, implica em uma menor pressão sobre o nível de preços. “Com menos demanda e empresas investindo menos, a pressão sobre os preços diminui e a inflação tende a ceder. Foi um movimento que vimos ao longo de 2025 e é bem provável que esse efeito da política monetária continue aparecendo até o fim do ano”, acrescenta.

Almeida enfatiza que o efeito se dá de forma defasada, meses após um aumento ou redução realizados pelo Banco Central via Copom. Portanto, com juros ainda em elevados patamares, a tendência é de patamares restritivos, mesmo com perspectiva de corte nos próximos meses.

“Isso vai continuar exercendo um efeito via preços e acredito que o Banco Central vai conseguir entregar, neste ano, a inflação abaixo do teto de 4,5%”, observa.

Na avaliação do economista, porém, o cenário ainda exige cautela diante do “cabo de guerra” entre políticas. “A gente tem hoje uma disputa entre política monetária e política fiscal: a monetária no campo restritivo e a fiscal no campo expansionista. Mesmo assim, o efeito de juros altos por muito tempo fez a inflação ceder. Para este ano, é provável que ela siga bem comportada dentro do intervalo da meta, embora ainda distante do centro, de 3%”, conclui Almeida.

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