Inflação sobe 4,56% em Belo Horizonte em 2025, conforme Ipead
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo de Belo Horizonte (IPCA-BH) subiu 4,56% em 2025, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). O percentual ficou acima do teto da meta para a inflação brasileira no ano, de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Entre os itens que compõem o indicador, a maior contribuição para a alta inflacionária veio de empregado doméstico, que registrou um aumento de 7,51%. “Esse foi o produto/serviço que mais pesou para a inflação no ano passado, contribuindo com 0,47 pontos percentuais, por causa de sua importância econômica dentro do índice de preço”, explica o gerente de Pesquisa da instituição, Eduardo Antunes. Na sequência ficaram:
- condomínio (8,09%);
- refeição fora de casa (6,51%);
- despesas com energia elétrica (10,25%); e
- IPTU (4,71%).
Antunes ressalta que, apesar de ter subido em 2025, em relação a 2024, o custo de vida na Capital desacelerou. No acumulado dos 12 meses anteriores, o IPCA-BH cresceu 7,52%.
Ele explica que a desaceleração aconteceu, sobretudo, em razão de um avanço menos intenso na inflação do grupo de alimentação, que pesa cerca de 15% para o resultado geral. De acordo com os números da instituição, em 2025, os preços do segmento no ano passado aumentaram 2,87%, enquanto, no exercício imediatamente anterior, expandiram 10,26%.
No caso do outro grupo que compõe o IPCA-BH e que representa aproximadamente 85% do indicador, o de produtos não alimentares, a pressão também foi menor, embora a diferença não tenha sido tão significativa. O segmento teve um crescimento inflacionário de 4,92% no ano passado, ao passo que, em 2024, tinha registrado incremento de 6,95%.
Ao analisar especificamente os itens que integram o índice, o de excursões apresentou uma redução de 5,62% e exerceu a maior influência para que a inflação belo-horizontina em 2025 não fosse ainda mais elevada. Em seguida vieram: seguro voluntário de veículos (-3,76%), arroz (-28,56%), laranja (-33%) e gasolina (-1,62%).
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Indicador avança 0,42% em dezembro
Em dezembro do ano passado, o IPCA em Belo Horizonte cresceu 0,42%. O percentual surpreendeu, visto que era esperada uma alta mais intensa, segundo o gerente. Antunes afirma que o normal para o mês é que a inflação se aproxime de 1%.
Os itens que mais contribuíram para “segurar” o avanço do indicador mensal foram, na devida ordem, energia elétrica e ônibus. O primeiro caiu 3,22%, após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) trocar a bandeira tarifária vermelha para a amarela. Já o segundo diminuiu 2,33% por reflexo da gratuidade do transporte coletivo aos domingos e feriados, implementada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Por outro lado, a gasolina ficou 3,05% mais cara na Capital, exercendo a maior influência para o avanço do IPCA-BH, seguido por refeição fora de casa, com aumento de 2,04%.
Com eleições pelo País, cenário para a inflação em BH em 2026 é incerto
Ao olhar para 2026, o gerente de Pesquisa da Fundação Ipead pontua que não é possível estimar, no momento, o comportamento da inflação em Belo Horizonte. Antunes explica que, em ano eleitoral, o cenário costuma ser mais complexo para análises, já que as eleições geram ruídos no mercado e um grande impacto no índice de modo geral. “Sempre tem muita influência das promessas, do que vai ser e do que não será feito”, afirma.
Avaliando o movimento que o IPCA-BH pode ter em janeiro, ele destaca que devem ocorrer avanços pontuais, como geralmente acontece no mês. É que no período há reajustes de preços, por exemplo, de mensalidades escolares, dos serviços prestados pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), de IPTU e das passagens de ônibus.
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