Inflação na RMBH sobe 0,44% em janeiro e supera a média nacional
A inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) registrou alta de 0,44% em janeiro, puxada principalmente pelo aumento dos combustíveis. O resultado foi o quinto maior entre as 16 áreas pesquisadas e ficou acima da média nacional, que foi de 0,33% no mês. Na comparação com janeiro do ano passado, a variação foi de 0,41%. Já o acumulado em 12 meses atingiu 3,98%, o sexto menor índice entre as regiões analisadas.
Na RMBH, sete dos nove grupos pesquisados apresentaram alta no período: Transportes (1,29%), Comunicação (1,04%), Saúde e cuidados pessoais (0,49%), Artigos de residência (0,27%), Educação (0,25%), Habitação (0,24%) e Alimentação e bebidas (0,15%).
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Segundo o analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE Minas), Venâncio da Mata, o grupo Transportes foi o que exerceu o maior impacto sobre o índice de janeiro. A gasolina, com alta de 3,68%, foi o principal destaque individual, contribuindo com 0,19 ponto percentual (p.p.) para o índice geral. Também registraram aumentos o etanol (5,29%), o ônibus urbano (3,99%), o automóvel novo (1,01%), o automóvel usado (0,81%) e o conserto de automóveis (0,77%).
No grupo Transportes, o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Carlos Silva, chama atenção para o efeito em cadeia da alta da gasolina, que acaba pressionando outros grupos do índice. Segundo ele, o combustível tem impacto indireto sobre diversos preços, somado ao reajuste das tarifas de ônibus, que subiram 8,93% no transporte metropolitano da Grande BH e 8,6% nas linhas convencionais da Capital.
“É importante destacar duas coisas: o preço da gasolina, como é transversal, a gente observa um aumento generalizado no nível de preços. Especialmente quando falamos de transportes, só que acaba impactando também outros grupos; e o reajuste das tarifas de ônibus, ocorridos na região metropolitana na primeira quinzena deste ano. Entre todas as capitais que fizeram reajuste em janeiro, Belo Horizonte tem a maior”, ressalta.
No grupo Habitação, que tem peso relevante no cálculo da inflação, o IBGE destacou o aumento da taxa de água e esgoto (2,52%), reflexo do reajuste de 6,56%, em vigor desde 22 de janeiro. Também subiram os preços do condomínio (1,71%) e do aluguel residencial (1,69%).
Além disso, Da Mata pontua a queda de 1,95% da energia elétrica residencial. “O índice foi também impactado pela mudança, em janeiro, para a bandeira tarifária verde, sem a cobrança adicional para os consumidores. Em dezembro, a bandeira tarifária amarela está em vigor”, comenta.
No grupo Alimentação e bebidas, que avançou 0,15%, chamaram atenção as altas expressivas do tomate (49,71%), da maçã (8,56%), das carnes (0,88%) e da refeição fora do domicílio (0,57%).
Já dois grupos apresentaram deflação em janeiro: Vestuário (-0,48%) e Despesas pessoais (-0,03%). No Vestuário, a queda de 1,06% nos preços das roupas contribuiu com impacto negativo de -0,04 p.p. no índice geral. Em Despesas pessoais, a principal influência foi a redução de 2,3% na hospedagem, com impacto de -0,02 p.p..
Variação anual da Grande BH é melhor que a do Brasil
Apesar de o levantamento indicar que a inflação de dezembro de 2025 para janeiro de 2026 foi maior em Belo Horizonte (0,44%) do que na média nacional (0,33%), a análise do acumulado em 12 meses mostra um cenário mais favorável para a capital mineira. A avaliação é do economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Carlos Silva.
“Estamos observando uma descompressão do nível de preços maior em Belo Horizonte do que no restante do País”, avalia Silva.
No período, a inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ficou em 3,98%, abaixo dos 4,44% registrados no Brasil. O resultado indica que o avanço dos preços na Grande BH tem sido mais contido do que o observado na média nacional.
Inflação em BH mais próxima do centro da meta
Com a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de uma possível redução da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião, o BDMG projeta que a inflação na RMBH fique ainda mais próxima do centro da meta, fixado em 3% pelo Conselho Monetário Nacional.
“A expectativa aqui no BDMG é que a inflação encerre o ano em torno de 3,9% no Brasil e que, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, fique mais próxima do centro da meta do Banco Central, em 3,2%”, afirma Izak Carlos Silva.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 17 e 18 de março, quando será discutido o futuro da Selic. O Banco Central já sinalizou uma redução da taxa, atualmente em 15% ao ano, mas informou que o ritmo e a duração do ciclo de cortes serão definidos ao longo do tempo.
A Selic está nesse patamar há cinco reuniões consecutivas e permanece no nível mais alto desde julho de 2006, quando chegou a 15,25% ao ano.
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