Economia

Insegurança domina mercado de trabalho e estimula qualificação em 2026, aponta pesquisa

Dados revelam que apenas três em cada dez profissionais se sentem estáveis, enquanto avanços da exigência por novas competências motiva investimentos na carreira
Insegurança domina mercado de trabalho e estimula qualificação em 2026, aponta pesquisa
Alguns mercados têm desafios inerentes à sua atividade e isso deve ser levado em conta | Crédito: Divulgação Exec

Uma pesquisa da escola de negócios Conquer, divulgada nesta quarta-feira (21), revela que o cenário do mercado de trabalho brasileiro tem gerado impactos na forma que os trabalhadores se sentem nas empresas: a grande maioria está insegura. A pesquisa mostra que apenas 30,6% dos profissionais brasileiros estão se sentindo seguros e estáveis no trabalho em 2026, e as sensações predominantes são de incerteza, estagnação e pressão por atualização.

O levantamento também mostra que, para reagir a esse cenário, 61,2% dos entrevistados recorreram a cursos ou capacitações no último ano como estratégia para destravar a própria carreira.

A pesquisa ouviu 500 adultos conectados à internet, em todas as regiões do País, e buscou mapear os principais dilemas profissionais enfrentados neste ano, além das metas traçadas para os próximos meses. Entre os fatores que mais pressionam os trabalhadores destacam-se:

  • Avanços da Inteligência Artificial, apontados por 47% dos respondentes;
  • Exigência crescente por novas qualificações, citada por 40%;
  • Redução do número de vagas combinada ao aumento da concorrência, mencionada por 31,8%.

O estudo indica que a estabilidade profissional segue distante para a maioria. Além dos 30,6% que se dizem totalmente seguros, outros 34,2% afirmam estar satisfeitos com o trabalho atual, mas reconhecem a necessidade de evolução constante. Já 12,2% convivem com incerteza sobre os próximos passos, enquanto sentimentos de sobrecarga, estagnação ou pressão para mudar de área aparecem com menor frequência, mas de forma persistente.

Diante desse ambiente, os profissionais adotam uma postura mais ativa em relação ao desenvolvimento. Além dos cursos e capacitações, 31,6% afirmam ter buscado novas responsabilidades no trabalho, enquanto 29,8% investiram em networking e participação em eventos da área. Mentorias, consultorias e orientações profissionais também ganharam espaço: três em cada dez entrevistados recorreram a esse tipo de apoio no último ano, movimento que ajudou 63,9% a identificar novas competências e 52,3% a ganhar mais segurança para tomar decisões.

A diretora de marketing da Conquer, Juliana Alencar, avalia que a dificuldade de avançar profissionalmente está mais ligada à falta de clareza do que à ausência de ambição. “O objetivo do Mapa de Carreira é apoiar o autoconhecimento profissional, ajudando as pessoas a entenderem onde estão, quais são os pontos de dor e quais habilidades precisam desenvolver”, afirma. Segundo ela, a ferramenta se baseia em um método próprio da escola, já validado por mais de cinco milhões de alunos.

As metas para 2026 refletem esse movimento de busca por crescimento interno. A principal ambição apontada pelos entrevistados é conquistar uma promoção ou crescer na empresa atual, objetivo citado por 33,4%. Na sequência, aparece o investimento em cursos e capacitações, com 31,8%, reforçando a aprendizagem como principal estratégia de permanência e relevância no mercado.

Empreendedorismo aparece como opção

O desejo de empreender ou trabalhar por conta própria também ganha espaço, mencionado por 14,2% dos participantes. Esse dado dialoga com o avanço do empreendedorismo no País. Informações do Sebrae mostram que, no primeiro trimestre de 2025, o número de microempreendedores individuais cresceu 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as micro e pequenas empresas registraram alta de 28%.

Para viabilizar essas metas, os profissionais reconhecem a necessidade de desenvolver competências específicas. Liderança é apontada por 34,4% como prioridade, seguida por inovação, com 30,4%, e visão estratégica, com 30,2%. A inteligência emocional aparece logo depois, com 29,2%, sendo vista como essencial para lidar com decisões complexas, relações de trabalho e contextos de adaptação contínua.

A pesquisa tem índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas