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Inteligência Artificial ganha espaço no mercado imobiliário e acelera decisões de compra

Uso da IA no mercado imobiliário tem gerado avanços e mais eficiência para os vendedores e uma jornada mais fluída do cliente
Inteligência Artificial ganha espaço no mercado imobiliário e acelera decisões de compra
CRÉDITO: Divulgação/ Construtora Patriani

A Inteligência Artificial (IA) está definitivamente inserida no dia a dia das pessoas. Mesmo que não se use de forma direta, a IA está presente em várias situações. E até em decisões para uma vida, como a compra de um imóvel. Um levantamento recente realizado pela Brain para a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), mostra que a tecnologia – especialmente a Inteligência Artificial – já influencia de forma significativa o comportamento do comprador de imóveis e contribui para a aceleração do processo de vendas.

De acordo com a pesquisa, de outubro de 2025, 83% dos consumidores consideram seguro comprar um imóvel on-line com auxílio de Inteligência Artificial, o que indica um alto nível de confiança nas soluções digitais ao longo da jornada de compra. Essa aceitação é ainda mais evidente entre as gerações mais jovens, como Geração Z e Geração Y, que demonstram maior familiaridade com ambientes digitais e maior abertura ao uso de assistentes virtuais.

De forma geral, 62% dos entrevistados afirmam que aceitariam conversar com um assistente virtual de IA antes de falar com um corretor humano, sobretudo para obter informações iniciais, comparar opções e esclarecer dúvidas. Entre consumidores de renda mais elevada, a tecnologia é vista principalmente como um meio de ganhar eficiência e autonomia; já nas faixas de renda intermediárias, destaca-se o papel da IA na redução de burocracias e na agilidade do processo de decisão.

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A sócia e diretora de estratégia da CEU-LAR e diretora da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI), Adriana Magalhães, concorda com o estudo, afirmando que as gerações mais novas tendem a querer menos interferências nos processos iniciais na busca por um imóvel.

“O perfil do cliente mudou. Os mais novos preferem tudo por WhatsApp, querem links, querem olhar sozinhos. Só procuram o corretor na hora de negociar. Já os mais antigos querem mais orientação desde o início”, comenta.

Apartamento virtual, feito com IA para demonstração ao cliente
Apartamento virtual, feito com IA para demonstração ao cliente-Divulgação/Construtora Patriani

Integração e crescimento

A partir desse novo comportamento do consumidor, o mercado imobiliário vem incorporando algumas tendências tecnológicas que aceleram o processo comercial, como:

  • Digitalização do funil de vendas, com CRMs, automação de leads e uso de dados para aumentar a conversão;
  • Uso de Inteligência Artificial na qualificação de leads e personalização da oferta;
  • Atendimento digital e modelos híbridos, integrando assistentes virtuais e equipes comerciais;
  • Experiências imersivas, como tours virtuais, maquetes digitais e conteúdos em 3D;
  • Contratação digital, com assinatura eletrônica e integração com crédito e financiamento.

“Essa pesquisa feita pela Brain, que é muito referendada, mostra um crescimento grande no volume de clientes que chegam por meio da inteligência artificial e da tecnologia. As incorporadoras trabalham com a construção de sonhos, e isso tem muito a ver com a forma como a IA chega até os indivíduos, despertando expectativa e desejo. Isso não acontece só no mercado imobiliário”, explica Adriana Magalhães.

IA+ fator humano

Mesmo com a presença quase onipresente da IA, o fator humano ainda tem espaço considerável na composição de uma venda imobiliária. Ainda é necessário ter a intermediação do agente imobiliário para que o processo e toda a jornada do cliente na escolha de um imóvel sejam completas.

“A imobiliária é quem faz a transação de compra, venda e locação. Ainda existe muita necessidade de atendimento humano. Hoje, 100% dos meus leads são atendidos pela Rafa, que é a minha Inteligência Artificial. Ela faz o primeiro contato, filtra o perfil do cliente e depois passa para o corretor, que faz a visita ao imóvel, entende o que ele gostou ou não e torna a busca mais assertiva”, detalha Adriana Magalhães.

“Os tours virtuais ainda não são decisivos para bater o martelo, a não ser quando o cliente não pode estar presente fisicamente, como investidores de outros países, por exemplo. Já o cliente local, principalmente o mineiro, quer visitar, sentir o clima do lugar”, completa.

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Custos menores e perfil profissional

O uso de IA na captação de leads trouxe não só uma busca mais precisa e assertiva: gerou uma redução de custos, pois o foco do corretor humano será o cliente, que já foi pré-filtrado. “Essa tecnologia também reduz custos para a imobiliária e para o corretor. Hoje, 100% dos meus atendimentos iniciais passam pela IA, e cerca de 70% desses leads são realmente aproveitados. Isso evita que o corretor perca tempo com contatos que não vão gerar negócio”, comenta a diretora.

“O perfil do corretor também mudou. Preciso cada vez mais de profissionais das gerações Y e Z, que já dominam a tecnologia. Os mais antigos têm mais dificuldade, mas precisam ser treinados. Já os mais jovens cobram ainda mais inovação”, finaliza.

Inevitável, mas há outros caminhos

A IA não vai dominar tudo, ou substituir o ser humano. Ela pode automatizar processos rotineiros e até ser estratégica para um trabalho de redes sociais, por exemplo. Ainda há profissionais que não aderiram ao uso da IA, mesmo reconhecendo que o uso dela será inevitável.

Assim pensa a corretora há 15 anos e proprietária da Mércia Imóveis, Mércia de Abreu Martins de Paiva. “A tecnologia se tornou inevitável, é essencial para quem busca impulsionar resultados, inovação e o crescimento, mantendo as empresas mais competitivas. Mas ainda dá para fazer um trabalho de captação por outros métodos neste momento, que geram bons resultados”, ressalta.

“Tenho conseguido bons resultados com Instagram e plataformas estruturadas como Imóvel Web, OLX, ZAP Imóveis. Os clientes ainda buscam informações nesses locais e em redes sociais, o que acaba gerando bons contatos”, completa.

“No fim, mesmo falando tanto de tecnologia, as pessoas ainda querem lidar com pessoas. O relacionamento humano continua sendo o mais importante. A tecnologia só vem para somar”, conclui a sócia da CEU-LAR, Adriana Magalhães.

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