Intenção de compra de imóveis em BH sobe para 19% e atinge maior nível da série
A intenção de compra de imóveis em Belo Horizonte registrou alta de três pontos percentuais (p.p.) no primeiro bimestre de 2026. De acordo com dados do Índice de Confiança Loft, a taxa de moradores com essa pretensão subiu de 16%, nos meses de outubro e novembro de 2025, para 19% no início deste ano.
O levantamento realizado pela Loft em parceria com a Offerwise demonstra que esse é o maior resultado desde o início da série, em novembro de 2024, quando o total de entrevistados com intenções de comprar um imóvel em até seis meses era de 17%. Confira os dados das últimas pesquisas na capital mineira:
- Janeiro-Fevereiro de 2026 (19%);
- Outubro-Novembro de 2025 (16%);
- Março-Abril de 2025 (16%);
- Dezembro-Janeiro de 2025 (13%);
- Outubro-Novembro de 2024 (17%).
O gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, explica que esse cenário está relacionado ao aumento do número de pessoas mais confiantes com a situação financeira própria e de seus familiares (veja mais abaixo). “Isso é um fator muito importante. As pessoas estão tendo maior segurança para fazer uma aquisição importante como a de um imóvel”, diz.
Além disso, o especialista menciona outras questões positivas envolvendo o mercado imobiliário, como a possível queda na taxa básica de juros, esperada para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. Segundo ele, caso essas estimativas se confirmem, isso impactará positivamente o financiamento imobiliário, aumentando o acesso para as classes que mais necessitam de crédito para adquirir um imóvel.
A ampliação do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, para pessoas das faixas mais baixas é outro ponto citado por Takahashi que ajuda a explicar os resultados positivos apresentados no estudo.
Para o gerente de dados, tudo leva a crer que a tendência para os próximos meses é de manutenção desse ritmo de crescimento da intenção de compra na Capital. Ele avalia que a confiança das pessoas não apresenta sinais de retração. “A tendência é que as pessoas em Belo Horizonte fiquem mais animadas a comprar quando fizermos as próximas pesquisas”, acrescenta.
Alta nas intenções para locação residencial

A pesquisa da Loft e da Offerwise também apresenta o avanço da intenção de aluguel na cidade: o índice passou de 4%, no fim do ano passado, para 6% nos dois primeiros meses de 2026. O resultado reverte a queda observada no fim de 2025 e se aproxima do nível mais alto da série, registrado em janeiro do último exercício (7%). Confira os resultados da série histórica da capital mineira:
- Janeiro-Fevereiro de 2026 (6%);
- Outubro-Novembro de 2025 (4%);
- Março-Abril de 2025 (5%);
- Dezembro-Janeiro de 2025 (7%);
- Outubro-Novembro de 2024 (5%).
Takahashi esclarece que esse desempenho está atrelado aos mesmos fatores mencionados no caso da venda de imóveis. No entanto, ele destaca que o momento atual é muito diferente do comum para o mercado, já que dificilmente é registrado um avanço nas intenções de compra e de locação de imóveis de forma simultânea.
“Em geral, quando um sobe, o outro está estagnado ou descendo, porque um é a substituição do outro. Mas nós estamos nesse momento especial, principalmente, para aquela faixa intermediária, que necessita de financiamento imobiliário”, relata.
O especialista pontua que a confiança desse grupo de pessoas tem crescido, porém, como a taxa de juros ainda não baixou, o cenário não está propício para aquisição de imóveis, beneficiando a opção de aluguel. Ele reforça que, independentemente do movimento, as pessoas estão mais propensas a fazer negócios na Capital.
Confiança financeira e pessoas sem pretensões de compra ou locação
A pesquisa ainda mostrou que o aumento da intenção de compra e de aluguel ocorre em um momento de melhora na percepção financeira das famílias. A última edição do levantamento mostra que o percentual de entrevistados em Belo Horizonte que acreditam que sua situação financeira estará melhor nos próximos seis meses subiu de 24% para 27%. Já o grupo mais pessimista baixou de 11% para 10% na última rodada.
O gerente de dados explica que a decisão de comprar ou alugar imóvel depende muito da expectativa de renda futura. “Quando cresce o grupo que acredita em melhora financeira e diminui o grupo pessimista, a tendência é que mais pessoas se sintam confortáveis para tomar decisões de maior porte”, diz.
O estudo ainda aponta que o grupo que declarou não pretender comprar, alugar ou vender imóvel caiu de 68%, nos meses de outubro e novembro de 2025, para 66% nos dois primeiros meses deste ano. Takahashi explica que os resultados são similares às conclusões observadas nas outras cinco capitais monitoradas (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Goiânia).
Considerando o cenário otimista com a situação financeira das famílias e com a conjuntura do mercado imobiliário, o especialista avalia como algo normal essa redução de dois pontos percentuais no indicador.
Ele pondera que a taxa de pessoas com pretensões de realizar esse tipo de movimento tende a ser menor se comparada com aquelas sem intenções, já que são movimentos de grande importância e que são feitos poucas vezes ao longo da vida. “Dificilmente a metade da população brasileira ou de Belo Horizonte estará pensando em mudar de imóvel”, conclui.
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