Economia

IPCA-15 acelera em fevereiro e fica acima do esperado com reajustes de mensalidades escolares

O resultado surpreendeu o mercado financeiro ao ficar bem acima das projeções
IPCA-15 acelera em fevereiro e fica acima do esperado com reajustes de mensalidades escolares
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Pressionada por mensalidades escolares e passagens aéreas, a inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) acelerou a 0,84% em fevereiro, apontam dados divulgados nesta sexta (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado surpreendeu o mercado financeiro ao ficar bem acima das projeções. Na mediana, as estimativas sinalizavam alta de 0,57%, conforme a agência Bloomberg. O intervalo das previsões ia de 0,45% a 0,65%.

Isso significa que o IPCA-15 superou até a máxima projetada pelos analistas consultados pela agência. O índice do IBGE havia subido 0,20% em janeiro.

No acumulado de 12 meses, o movimento foi diferente. O IPCA-15 desacelerou a 4,1%, após marcar 4,5% até janeiro. A perda de força nesse recorte está associada a uma questão estatística.

O índice havia subido ainda mais em fevereiro de 2025 (1,23%). Agora, a variação mensal do ano passado deixa o cálculo de 12 meses, sendo substituída por uma menor (0,84%).

Apesar da surpresa com o IPCA-15, analistas ainda esperam que o BC (Banco Central) comece a cortar a taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em março.

O resultado de fevereiro, contudo, tende a reforçar a cautela da instituição, dificultando uma redução mais intensa na Selic, de acordo com economistas. A taxa de juros está em 15% ao ano.

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, afirma que as surpresas do IPCA-15 se concentraram em componentes mais voláteis, que costumam oscilar mais. Ela cita como exemplos a passagem aérea (11,64%) e o seguro de veículo (5,62%).

Segundo Claudia, o BC deve fazer um “corte gradual” de 0,25 ponto percentual na Selic, que sairia de 15% para 14,75% em março.

A economista Mariana Rodrigues, da SulAmerica Investimentos, também aponta surpresas no IPCA-15 com passagens aéreas e seguro de veículo.

Para ela, o resultado acende um sinal de alerta em relação à perspectiva de melhora estrutural da inflação ao longo do ano.

MENSALIDADES E PASSAGENS EM ALTA

Em termos individuais, o reajuste das mensalidades do ensino fundamental exerceu o maior impacto sobre o IPCA-15 deste mês (0,14 ponto percentual). A alta dos preços foi de 8,07%.

O segundo maior impacto veio da passagem aérea (0,09 ponto percentual). O bilhete de avião aumentou 11,64%.

Outros destaques foram os reajustes da tarifa de ônibus urbano (0,08 p.p. e 7,52%), das mensalidades do ensino superior (0,07 p.p. e 4,23%) e da gasolina (0,07 p.p. e 1,3%).

Do lado das quedas, o principal alívio veio da energia elétrica residencial (-0,06 p.p.). A conta de luz teve baixa de 1,37% em fevereiro.

Quando a análise considera os grupos de bens e serviços, os maiores impactos no IPCA-15 foram de transportes (0,35 p.p.) e educação (0,32 p.p.). Os segmentos registraram altas de 1,72% e 5,2%, respectivamente.

O grupo de transportes foi pressionado por passagens aéreas (11,64%) e combustíveis como a gasolina (1,3%). Já o ramo de educação refletiu a carestia dos cursos regulares (6,18%) devido aos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo.

Os cursos incluem ensino médio (8,19%), fundamental (8,07%), pré-escola (7,49%), creche (6,19%) e nível superior (4,23%), entre outros.

IPCA-15 E IPCA

Por ser divulgado antes, o IPCA-15 sinaliza uma tendência para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O IPCA é a medida oficial de preços no Brasil, servindo de referência para a meta de inflação.

Uma das diferenças entre os dois índices é o período de coleta dos dados. A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso do resultado de fevereiro, a coleta foi realizada de 15 de janeiro a 12 de fevereiro.

Já o levantamento do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o índice de fevereiro ainda não está fechado. Será divulgado pelo IBGE em 12 de março.

META DE INFLAÇÃO E JUROS

O BC persegue a meta contínua de inflação cujo centro é de 3% para o IPCA no acumulado de 12 meses. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que significa teto de 4,5% e piso de 1,5%.

Com os sinais de trégua da inflação a partir do segundo semestre de 2025, analistas passaram a esperar corte na taxa básica de juros a partir de março. A Selic atual, de 15% ao ano, busca conter o ritmo de aumento dos preços.

Os juros altos encarecem o crédito e, assim, dificultam parte do consumo e dos investimentos produtivos.

A demanda menor por bens e serviços tende a reduzir a pressão sobre os preços ao longo dos meses.
O efeito colateral esperado é a desaceleração da atividade econômica, que já deu sinais no PIB (Produto Interno Bruto).

A mediana das projeções do mercado financeiro para o IPCA acumulado nos 12 meses de 2026 recuou a 3,91%, conforme o boletim Focus, divulgado pelo BC na segunda (23). A estimativa está abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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