IPCA-15 sobe 0,52% na RMBH com pressão de alimentação e despesas pessoais
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador considerado uma prévia da inflação, apresentou alta de 0,52% em março na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), conforme divulgou nesta quinta-feira (26) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Alimentação e despesas pessoais foram apontadas como os principais impactos.
O índice registrado em março é 0,43 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada em fevereiro (0,95%). Dessa forma, o IPCA-15 da RMBH ocupa o quarto lugar entre os mais altos do País, junto com São Paulo, que também apresentou alta de 0,52%. Das nove regiões pesquisadas, Recife (0,82%), Belém (0,68%) e Fortaleza (0,60%) registraram os índices mais elevados.
Na RMBH, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete registraram variação positiva, com destaque para Alimentação e bebidas (1,02%), seguido por Despesas pessoais (1,02%) e Habitação (0,92%).
O economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva, explica que a alta da inflação em Alimentação e bebidas é motivada por fatores sazonais, como os impactos das chuvas. Dentro desse grupo, o subgrupo Leite e derivados acelerou 4,27%, impactado por reajustes no litro de leite comercializado nas diversas bacias leiteiras da RMBH, conforme o Diário do Comércio noticiou recentemente.
Além do Leite, cereais e leguminosas (4,47%), Hortaliças e verduras (3,76%) também contribuíram para a alta do grupo principal. Nesses casos, as chuvas explicam o aumento. “Esses movimentos são típicos do primeiro trimestre, algo tipicamente sazonal”, avalia Silva.
Em Despesas pessoais, a maior contribuição, segundo o IBGE, veio de Serviços bancários (2,12%), seguido por Hospedagem (2,96%).
O economista do BDMG chama atenção, no grupo Habitação (0,92%), para a alta de aluguéis e taxas. “Aqui, temos um problema estrutural. Já falamos repetidamente sobre o déficit habitacional da região, o que impacta o preço dos aluguéis mês após mês”, diz.
Silva também lembra do reajuste da tarifa de água e esgoto (2,2%): “Ela havia sido uma das maiores do Brasil e, agora vigente, acaba impactando bastante o grupo Habitação”.
Nesse grupo, o economista destaca também a alta de Artigos de limpeza (1,70%), setor que utiliza derivados petroquímicos e já reflete os impactos do conflito no Oriente Médio.
As demais variações ficaram em 0,63% para Vestuário, 0,32% para Saúde e cuidados pessoais, 0,20% em Artigos de residência e 0,07% em Comunicação. Por outro lado, Educação (-0,14%) e Transportes (-0,07%) apresentaram queda.
No caso dos Transportes, a redução tarifária aos domingos e feriados contribuiu para que o subgrupo Ônibus urbano (-1,67%) registrasse variação negativa.
No acumulado trimestral, a taxa teve alta de 1,71% na RMBH e, em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 3,65%.
Inflação no Brasil fica acima das expectativas
Ao avaliar os dados nacionais, o professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Junior, afirma que, do ponto de vista das expectativas, o resultado veio acima do que o mercado projetava.
“A mediana apurada pela Reuters apontava para uma alta de 0,29% no mês e de 3,74% em 12 meses, abaixo dos 0,44% e dos 3,90% efetivamente observados. Isso significa que, embora a inflação tenha desacelerado na comparação com fevereiro, a leitura de março ainda surpreendeu negativamente os analistas”, explica.
Dessa forma, ele avalia que o mercado esperava um efeito mais visível do ciclo anterior de juros elevados sobre a inflação corrente, e esse alívio não apareceu na intensidade projetada: “Isso não significa que a política monetária tenha deixado de funcionar, mas sim que sua transmissão continua lenta, parcial e desigual”.
Segundo o professor, parte relevante da pressão inflacionária segue concentrada em grupos menos sensíveis aos juros no curto prazo, como alimentos e alguns serviços, o que reduz a velocidade do efeito desinflacionário esperado.
Além disso, o corte mais recente da Selic, decidido pelo Copom para 14,75% ao ano, é recente demais para ter influência relevante sobre o dado divulgado nesta semana. “A inflação desacelerou, mas menos do que o mercado esperava, e o efeito baixista da Selic sobre os preços ainda não se efetivou na magnitude embutida nas projeções”, conclui.
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