Aumento da passagem de ônibus pressiona IPCA-15 em BH; chuvas na Zona da Mata devem afetar setor moveleiro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou variação de 0,95% em fevereiro na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), conforme divulgou nesta sexta-feira (27) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento das passagens do transporte público foi apontado como o principal impacto.
O índice registrado em fevereiro é 0,72 ponto percentual (p.p.) superior ao do mês anterior, que foi de 0,23%. Assim, a RMBH ocupa o terceiro lugar entre as maiores taxas do País. Das nove regiões pesquisadas, apenas São Paulo (1,09%) e Fortaleza (1,02%) registraram índices mais altos.
No caso de Belo Horizonte, conforme analisa o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva, o maior impacto veio do aumento de 8,6% no preço das passagens do transporte público, que entrou em vigor em janeiro deste ano. “Tivemos o maior reajuste de transporte público do País, e isso faz com que tenhamos alta neste grupo, puxado por esse movimento, que é sazonal”, afirmou.
O grupo Educação apresentou a maior variação positiva entre os nove grupos pesquisados, com alta de 3,93%. Trata-se da maior variação, mas não do maior impacto, por ter peso menor no índice.
Nesse grupo, o economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, observa que o reajuste na RMBH ficou abaixo do nacional, que foi de 5,2%. “As altas estão associadas aos reajustes dos preços de cursos regulares praticados no início do ano letivo (4,89%), que tipicamente tendem a influenciar de forma significativa o IPCA de fevereiro”, disse.
Ao observar o grupo Alimentação e Bebidas, que também tem forte impacto no índice geral, Izak Silva aponta que, na comparação com o índice do Brasil, a RMBH teve desempenho inferior ao registrar alta de 0,3%, enquanto no País foi de 0,2%.
“Esse dado é pior aqui em função, especialmente, dos tubérculos, raízes, legumes e hortaliças, que são tipicamente sazonais. Legumes e verduras tiveram preços mais elevados por conta da elevada incidência de chuvas”, pontuou.
Em Habitação (0,86%), o economista do BDMG ressalta que, diferentemente do Brasil, que teve o índice puxado para baixo pela incidência da bandeira verde na conta de energia elétrica em fevereiro (em janeiro, vigorava a bandeira amarela), a redução na RMBH não foi sentida, pois foi compensada pelo reajuste de aluguéis e tarifas, que apresentaram alta de 1,9%. “Ainda tivemos o maior reajuste do País anunciado até agora para as contas de água, com aumento médio de 6,56%”, complementou.
Os demais grupos, como Artigos de Residência (1,2%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,64%), Despesas Pessoais (1,1%) e Comunicação (0,82%), também apresentaram alta no mês. Apenas vestuário registrou queda de 0,23%.
O economista da Fiemg, João Gabriel Pio, ressalta ainda que, ao assinalar 0,84% para o Brasil, o IPCA-15 ficou acima do esperado para o mês, especialmente no setor de serviços. “Dessa forma, essa leitura será interpretada pelo Banco Central como um sinal de inflação mais persistente, o que pode levar a maior cautela no ciclo de queda da taxa Selic ao longo do ano”, avaliou.
Chuvas na Zona da Mata podem impactar preços do setor moveleiro
A alta de 1,2% no grupo Artigos de Residência, com impacto do subgrupo Mobiliário (1,5%), já apresentava desempenho inferior na RMBH em relação ao País em fevereiro, quando a taxa de inflação foi de 0,21%. E a tendência, segundo Izak Silva, é de aceleração.
“Devemos observar alta nos preços, porque a região de Ubá, na Zona da Mata, é um polo moveleiro importante e foi bastante afetada pelas chuvas desta semana”, avaliou.
Para o economista, a produção deverá ser comprometida, consequentemente puxando os preços para cima.
Inflação acumulada ultrapassa média nacional
Neste ano, o IPCA-15 da RMBH já acumula alta de 1,18%, acima do índice nacional, que é de 1,04%. O indicador ficou entre os três maiores, atrás do Rio de Janeiro (1,26%) e de Fortaleza (1,23%).
Já nos últimos 12 meses, a RMBH teve uma inflação mais controlada, com alta de 3,75% contra os 4,1% do Brasil. “Isso significa que estamos nos aproximando da taxa do Brasil, o que aumenta momentaneamente a inflação local. Mas ainda não é um sinal preocupante, porque, olhando o longo prazo, temos um nível de inflação menor do que o nacional. Então, esse movimento de convergência é, em certa medida, natural”, finalizou Silva.
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