Iphan suspende licença de instalação da Tamisa

Empresa espera que o órgão libere a implantação de complexo minerário na Serra do Curral
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Iphan suspende licença de instalação da Tamisa
Iphan recebeu do Partido Verde um estudo referente ao tombamento da Serra do Curral | Crédito: Divulgação/PBH

A Taquaril Mineração S.A (Tamisa) teve mais uma das licenças de instalação de seu complexo minerário na Serra do Curral – importante cartão-postal da capital mineira e entorno – suspensa. Dessa vez, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) retirou a Licença Prévia (LP) para a fase 2 do empreendimento. Ofício assinado pelo presidente da instituição, Leandro Grass, comunica a decisão do órgão para o governo de Minas Gerais e para a mineradora que, mais uma vez, fala em insegurança jurídica.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO teve acesso ao documento que, entre outros pontos, justifica que “tendo em vista a constatada inação, em período recente, da Superintendência do Iphan em Minas no caso em tela, declara nulo o ofício de lavra da superintendência de Minas em função da inobservância de ritos administrativos previstos em normativos do Iphan e, sobretudo, dos estudos necessários para a manifestação do Iphan no âmbito do licenciamento ambiental”.

O ofício diz ainda que foi aberta uma diligência para verificar a regularidade da fase 1 do complexo minerário e, se necessário, encaminhar nova manifestação à Secretaria de Estado Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Procurado, o órgão ressaltou que a obra da Tamisa estava inserida em área tombada pelo Iphan e que, em sua avaliação, o projeto não observou as normas previstas, assim como não apresentou os estudos necessários para a manifestação do Instituto no âmbito do licenciamento ambiental.

“É importante esclarecer que o empreendimento possui dois projetos: Fase 2 (que engloba a Cava Oeste, anulada pelo Iphan); e a Fase 1 (que possui outras cavas e serão reanalisadas pelo Instituto). E ressaltar que os processos administrativos relacionados ao assunto serão, a partir de agora, conduzidos pela Coordenação Nacional de Licenciamento Ambiental do Iphan, com sede em Brasília (DF)”, disse em nota.

A Semad, por sua vez, limitou-se a dizer que ainda não havia recebido qualquer manifestação oficial do Instituto na Superintendência de Projetos Prioritários sobre o cancelamento da anuência que subsidiou a análise do processo da Tamisa. “Assim, até que haja uma notificação oficial do órgão, não é possível realizar uma manifestação conclusiva dos efeitos do documento sobre o referido processo”.

Tamisa diz que suspensão de projeto na Serra do Curral é precipitada e injustificada e incompatível

Já a mineradora classificou a decisão do Iphan como precipitada e injustificada e incompatível com o dever de coerência e respeito que se deve ter para com a administração pública e àqueles que a ela se dedicam. “(O)… ato arbitrário e monocrático do presidente do órgão não tem o condão de modificar ou retirar a validade de licença ambiental regularmente concedida pelo Copam”, consta em trecho da nota enviada à imprensa.

A empresa disse ainda que houve excessos, tendo sido anulados até mesmo atos de mera comunicação, “como se a questão eminentemente técnica pudesse ser substituída, aparentemente, sem qualquer respaldo legal, para se reescrever o passado para que prevaleça, no presente, uma verdade baseada em juízos subjetivos de preferência”.

A mineradora completou que confia que o órgão irá reconsiderar a decisão. “Crê-se que o momento é de se aguardar o envio de toda a documentação e os esclarecimentos pelo Iphan, principalmente, por não se encontrar, até o presente momento, no processo em questão, os motivos técnicos para se ter anulado atos praticados de forma válida, técnica e imparcial por servidores do Iphan”, conclui no comunicado.

Suspensão é primeiro passo para tombamento da Serra do Curral

O deputado Professor Cleiton (PV) comemorou a decisão pela suspensão de mais uma licença da Tamisa na Serra do Curral e disse que este é um primeiro passo para a garantia do tombamento da serra.

“Na semana passada, em nome da liderança do Partido Verde-MG, estive com Leandro Grass, presidente do Iphan e ex-deputado federal para protocolar uma solicitação de cancelamento da mineração na Serra do Curral. Nesta quarta-feira, 22, justamente no Dia Mundial da Água, o Iphan determinou que o governo estadual tome medidas para suspender imediatamente a mineração na Serra do Curral”, escreveu no Twitter.

Na ocasião, o deputado entregou ao presidente do órgão um estudo referente ao tombamento do cartão-postal da cidade visando o redesenho do contorno de proteção da Serra. O levantamento contempla questões patrimonial, ambiental e os impactos positivos do tombamento.

Fleurs GlobalA comunicação pela decisão ocorre no dia seguinte à Justiça mineira cassou uma liminar que concedia à mineradora Fleurs Global, o direito ao retorno da operação na Serra do Curral. Os procuradores da AGE-MG e os promotores do MPMG demonstraram que a liminar aprovada recentemente em favor da mineradora, no âmbito de uma ação de mandado de segurança, não deveria ter sido concedida em razão de a própria Justiça já ter indeferido pedido idêntico da mesma empresa há quase três meses.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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