Economia

Do Japão ao Brasil, eleitores podem abalar mercados em ano eleitoral decisivo

Do Japão ao Brasil, as eleições podem adicionar ainda mais incerteza este ano aos mercados já abalados pelas oscilações da política dos EUA
Do Japão ao Brasil, eleitores podem abalar mercados em ano eleitoral decisivo
Foto: Reuters

Do Japão ao Brasil, as eleições podem adicionar ainda mais incerteza este ano aos mercados já abalados pelas oscilações da política dos Estados Unidos e pelo aumento da tensão geopolítica.

A eleição no Japão no próximo fim de semana está entre as mais imprevisíveis dos últimos anos, enquanto as pesquisas na América Latina testarão a guinada à direita da região.

Aqui estão algumas das eleições mais significativas do ano para os mercados:

Japão

As eleições antecipadas no Japão, em 8 de fevereiro, podem afrouxar os cordões da bolsa fiscal na nação mais endividada do mundo desenvolvido, em termos de dívida em relação ao PIB. A primeira-ministra Sanae Takaichi quer converter sua popularidade pessoal em apoio às suas políticas fiscais expansionistas e reforçar a posição de seu governo de coalizão no Parlamento. As últimas pesquisas mostram que sua taxa de aprovação caiu um pouco.

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Os investidores esperam que a pressão sobre os títulos japoneses continue, e alguns analistas estimam que os rendimentos de 10 anos atingirão 3% este ano, ante pouco mais de 2% atualmente.

Colômbia

Os colombianos votarão até três vezes, a partir de março, para escolher novos parlamentares e um novo presidente para substituir Gustavo Petro, um esquerdista que entrou em conflito com o presidente dos EUA, Donald Trump.

As ações colombianas superaram as de seus pares regionais no ano passado, mas os investidores em títulos esperam que a guinada à direita na América Latina também atinja a Colômbia, restaurando políticas econômicas ortodoxas.

“Se houver uma mudança para a direita… há potencial para algum ajuste fiscal”, disse o gestor de portfólio da Ninety One, Nicolas Jaquier.

Jaquier disse que uma vitória de Ivan Cepeda, da coalizão de Petro, poderia permitir que ele fizesse mudanças estruturais no banco central e na Suprema Corte, removendo os obstáculos que retardaram algumas das políticas de Petro.

Hungria

A votação de abril na Hungria é a melhor chance da oposição em anos para acabar com os 16 anos de mandato do primeiro-ministro Viktor Orbán.

O partido de centro-direita Tisza lidera as pesquisas sobre o Fidesz, de direita, de Orbán, mas o resultado permanece incerto.

As preocupações com o custo de vida são altas, e Orbán tem usado incentivos fiscais para acalmar as preocupações dos eleitores.

A Fitch Ratings rebaixou a perspectiva de recomendação de crédito da Hungria para negativa no ano passado, citando projeções de finanças públicas “significativamente pioradas” que refletiam novas medidas antes das eleições.

O Tisza prometeu reparar as relações com a União Europeia e desbloquear o financiamento. Luis E. Costa, do Citi, estima que isso poderia mobilizar 10 bilhões de euros (US$11,9 bilhões), o que, juntamente com outras reformas, poderia “permitir maiores gastos com investimentos, acompanhados por um déficit fiscal menor e prêmios de risco reduzidos”.

Reino Unido

As eleições locais geralmente não atraem a atenção dos investidores estrangeiros, mas a votação de maio pode atrair. O Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Keir Starmer, está atrás nas pesquisas de opinião do populista Reform UK e tem lutado para cumprir suas promessas de fortalecer a economia.

Os mercados estão sensíveis a sinais de que Starmer, com sua política fiscal restritiva, possa ser substituído, como visto na recente liquidação de títulos.

O economista britânico Sam Cartwright, do Société Générale, afirma que um novo líder britânico não teria margem para aumentar significativamente os empréstimos do governo se Starmer fosse substituído, seu cenário base. A próxima eleição parlamentar britânica deve ser realizada até agosto de 2029.

Etiópia e Zâmbia

A Etiópia e a Zâmbia, ambas lutando para se recuperar da inadimplência, realizarão eleições no verão do Hemisfério Norte.

O Partido da Prosperidade do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, quase certamente vencerá a votação de junho, já que os principais grupos da oposição planejam um boicote.

Na Zâmbia, espera-se atualmente que o presidente Hakainde Hichilema vença em agosto, embora os especialistas da Chatham House alertem que a vida dos cidadãos ainda não melhorou, apesar dos progressos na reestruturação da dívida e na reforma econômica.

Os investidores estão acompanhando de perto os dois países, em busca de oportunidades em mercados fronteiriços. A economia da Zâmbia se mostrou mais resiliente do que o esperado, e os títulos inadimplentes da Etiópia estão sendo negociados acima do valor nominal, apesar da inadimplência em curso.

Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as pesquisas para as eleições de outubro contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador de direita e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula, 80, conseguiu uma trégua com o presidente dos EUA, Donald Trump, apesar dos conflitos sobre tarifas, Venezuela e a condenação de Bolsonaro por conspirar para um golpe.

“Uma vitória de Lula… poderia ser bastante negativa para os preços”, escreveu Geronimo Mansutti, da Tellimer, citando preocupações com “mais quatro anos de déficits elevados e um caminho de dívida mais alta”.

Um quarto mandato também poderia deixar Lula — um progressista — enfrentando mais conflitos com Trump.

Mas Jaquier, da Ninety One, destacou o valor de Lula como uma “figura conhecida”, acrescentando que ele é pragmático e provavelmente nomeará uma equipe confiável para fazer ajustes fiscais.

Estados Unidos

As eleições legislativas de meio de mandato de novembro nos EUA determinarão quem controla o Congresso e são um teste importante para Trump.

O custo de vida é uma questão polêmica e a Casa Branca se apressou em oferecer propostas para aliviar essas preocupações, incluindo o limite das taxas de juros dos cartões de crédito.

As pesquisas mostram que os norte-americanos estão amplamente insatisfeitos com a maneira como Trump tem lidado com a economia. O partido do presidente em exercício historicamente sofre durante as eleições de meio de mandato, e o presidente recentemente admitiu que seu Partido Republicano pode ter dificuldades para manter seu frágil controle sobre o Congresso.

“É claro que o presidente gostaria de ver o crescimento econômico em alta e os mercados financeiros em recuperação, e isso terá um papel importante em sua narrativa e políticas nos próximos meses”, disse Guy Miller, estrategista-chefe de mercados da Zurich Insurance. “As políticas dessa eleição terão impacto sobre todos nós.”

(Reportagem de Libby George e Dhara Ranasinghe; Reportagem adicional de Rodrigo Campos e Lewis Krasukopf, em Nova York; Rocky Swift e Kevin Buckland, em Tóquio, e Bill Schomberg, em Londres; Gráficos de Gergely Szakacs e Nikhil Sharma)

Conteúdo distribuído por Reuters

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