Liberação de R$ 1,6 bilhão para MCMV não atende à construção

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Liberação de R$ 1,6 bilhão para MCMV não atende à construção
Atrasos de repasses do governo para setor já teriam atingido 40 dias - CRÉDITO:ALISSON J. SILVA/arquivo dc

Embora o governo federal tenha assegurado mais R$ 1,6 bilhão até junho para o Minha casa, minha vida (MCMV) em todo o País, os recursos não garantem novos lançamentos para a construção civil. A falta de repasses das verbas do programa, que completou dez anos de implementação no mês passado, tem preocupado representantes do setor, que já falam em nova crise e demissões em massa.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares, a medida do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) garante apenas a execução dos contratos já assinados. No entanto, são insuficientes para as construtoras planejarem novos lançamentos.

“Esta falta de previsibilidade impede as construtoras de fazerem planos sobre novos empreendimentos. Aliás, o atual governo está com grande dificuldade de manter os compromissos previstos, o que está afugentando a confiança dos empresários e adiando ainda mais a recuperação da economia. É um efeito em cascata”, avaliou.

De acordo com o MDR, preocupado com a possibilidade de interrupção do programa e os prejuízos que poderiam ser causados à população, o próprio ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, tratou a situação com o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, que garantiu a suplementação de R$ 800 milhões para a continuidade do Minha casa, minha vida, além do orçamento já previsto, totalizando em R$ 550 milhões para os meses de abril e maio, cada, e R$ 500 milhões para junho.

Ainda segundo a pasta, o orçamento de 2019 prevê investimentos de R$ 4,1 bilhões para o programa habitacional. No entanto, um decreto do Ministério da Economia reduziu os limites, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para empenho (em 27%) e para pagamentos (em 39%) do MDR.

Segundo o Sinduscon-MG, os atrasos dos repasses das verbas do governo federal para o programa tiveram início com o novo governo e chegam a 40 dias. No País, as cifras em aberto já somam R$ 450 milhões e poderão ultrapassar a casa do R$ 1 bilhão ao final do primeiro semestre.

Minas Gerais – Conforme publicado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, no caso de Minas Gerais, isso representa algo em torno de R$ 100 milhões em seis meses. Dados do setor mostram que, a cada R$ 10 milhões investidos em obras, quase 400 empregos diretos e indiretos são gerados, representando um investimento social e econômico para o País. Daí o risco de um novo colapso na atividade industrial e consequentemente na geração de emprego e renda.

Por isso, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) tem se reunido constantemente com membros do governo no intuito de alertar a União para as necessidades do setor e tentar a liberação dos recursos proporcional ao que está previsto no orçamento.

Para se ter uma ideia da importância dos recursos, dados do setor mostram que o programa representa dois terços do mercado imobiliário brasileiro. Em Belo Horizonte e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), 60% das vendas de unidades novas foram construídas com recursos do “Minha casa, minha vida”.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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