Aluguel de equipamentos pode reduzir custo de obras no Estado

Em 12 meses, valor do metro quadrado na construção civil subiu 7% em Minas Gerais
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Aluguel de equipamentos pode reduzir custo de obras no Estado
Foto: Diário do Comércio / Juliana Gontijo

Construir uma casa em Minas Gerais custa, em média, R$ 1.860,41 o metro quadrado, segundo o levantamento mais recente do IBGE dentro do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi). O número se refere a julho de 2026 e ajuda a entender porque morar, erguer ou reformar um imóvel no Estado ficou tão pesado no orçamento. Em 12 meses, o valor do metro quadrado subiu 7% em Minas.

O levantamento mostra que esse avanço é constante. Em agosto de 2025, o custo era de R$ 1.743,15 o metro quadrado e, menos de um ano depois, chegou aos atuais R$ 1.860,41, o que equivale a uma diferença de R$ 117,26 por metro quadrado. A alta em Minas foi de 2,70% considerando o acumulado de 2026 até julho e esse aumento impacta diretamente o valor do metro quadrado de quem pretende comprar, reformar ou realizar manutenção em um imóvel.

Diante desse cenário, o aluguel de equipamentos ganha força como forma de diminuir custos na construção civil sem abrir mão de qualidade. A locação de máquinas e ferramentas permite executar cada etapa da obra com o equipamento certo, sem investir capital na compra de máquinas que ficariam paradas depois. E é justamente esse ponto que pode aliviar o valor do metro quadrado no bolso de quem constrói em Minas Gerais.

O gerente executivo do Sindicato das Empresas Locadoras de Equipamentos, Máquinas, Ferramentas e Serviços Afins do Estado de Minas Gerais (SINDILEQ-MG), Allan Rodrigues, considera que o mercado de locação em Minas Gerais acompanha o ritmo de retomada e expansão de infraestrutura, obras imobiliárias e setor motomecanizado na mineração.

Allan Rodrigues aponta como vantagens da locação de equipamentos a previsibilidade financeira ainda mais em momentos de oscilação de taxa de juros e custos de insumos na construção civil. “O aluguel funciona como uma blindagem ao fluxo de caixa, permitindo orçar a obra com custos exatos de maquinário do início ao fim”, afirma.

Para Allan Rodrigues, a locação de máquinas e equipamentos tem se consolidado como uma decisão estratégica essencial para construtoras em Minas Gerais que buscam eficiência operacional e previsibilidade financeira. “Ao optar pelo aluguel em vez da aquisição própria, a empresa transforma um custo fixo pesado (Capex – investimento em capital) em custo operacional flexível (Opex – despesas operacionais”, assinala.

O diretor executivo e fundador da LocExpress Franchising, Marcus Vinícius Lara, completa que a importância da locação vai além da economia em compra de equipamentos. Ela permite que uma empresa, um profissional ou até mesmo uma pessoa realizando uma reforma tenha acesso ao equipamento adequado somente pelo período em que realmente precisa dele. “Isso torna o processo mais racional, produtivo e sustentável. Inclusive, esse é um modelo que já está muito consolidado internacionalmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, a locação de equipamentos faz parte da rotina da construção civil há décadas e continua ganhando participação”, afirma Marcus Vinícius.

Ele destaca que o Brasil também vem avançando nessa direção. “À medida que o mercado amadurece, as pessoas passam a entender que não é necessário comprar tudo aquilo que se utiliza em uma obra. A locação de equipamentos ajuda a reduzir custos de manutenção e armazenamento e contribui para uma utilização muito mais eficiente dos recursos”, defende o empresário.

Custos em Minas

O custo de R$ 1.860,41 por metro quadrado coloca Minas Gerais um pouco abaixo da média nacional, que fechou julho de 2026 em torno de R$ 1.985,00. Isso não significa alívio para quem constrói: o ritmo de encarecimento no Estado segue firme, com o valor do metro quadrado registrando alta de 7% em 12 meses, praticamente em linha com o avanço observado em todo o país.

O movimento mensal, porém, tem dado sinais de acomodação. Em julho de 2026, a alta mineira foi de apenas 0,17%, um ritmo mais brando do que o visto em meses anteriores. Isso sugere um respiro no curto prazo, ainda que o acumulado do ano mantenha o valor do metro quadrado em trajetória de alta. Para quem planeja construir, é uma janela que pode não durar, e entender o valor do metro quadrado atual ajuda a decidir a hora certa de tocar a obra.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas para o país, subiu 0,62% em julho, resultado abaixo dos 0,85% de junho. Esse índice combina materiais, equipamentos, serviços e mão de obra, e apontou desaceleração no ritmo de encarecimento.

Boa parte da conta vem dos insumos. A série histórica do IBGE/SINAPI mostra que a parcela de materiais tem trajetória predominantemente de alta desde 1994, e Minas acompanha esse padrão. No estado, o índice de materiais saiu de 373 pontos em 2013 para 883 em julho de 2026, o que significa que os insumos mais que dobraram de preço em pouco mais de uma década e empurraram o valor do metro quadrado para cima.

O peso dos materiais explica porque a locação de equipamentos ganha relevância. Para o diretor executivo da LocExpress, como esse componente do custo foge ao controle de quem constrói, sobra pouca margem de manobra, e reduzir gastos com máquinas se torna uma das poucas formas de conter o valor do metro quadrado sem comprometer a qualidade da obra.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas