Economia

Reajuste das mensalidades escolares acelera inflação em fevereiro na RMBH

Aumento de água e aluguel também ajudaram a pressionar o IPCA na região, que ficou acima da média nacional no mês
Reajuste das mensalidades escolares acelera inflação em fevereiro na RMBH
Foto: Adobe Stock

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro apresentou variação de 0,76%, 0,32 ponto percentual (p.p.), na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Puxado pelo reajuste das mensalidades escolares, o indicador ficou acima dos 0,44% registrados no mês anterior. No ano, o IPCA acumula alta de 1,2% e, nos últimos 12 meses, de 3,42%. Em 2025, a variação havia sido de 1,31%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) nesta quinta-feira (12).

Conforme o IBGE, o índice da RMBH ficou acima da variação nacional, que foi de 0,7% e ocupa o terceiro lugar entre os mais altos das 16 regiões pesquisadas pelo instituto. Apenas as regiões metropolitanas de Fortaleza (0,98%) e São Paulo (0,97%) apresentaram índices de inflação mais altos que a RMBH no mês.

Em fevereiro, a maior variação e impacto em Belo Horizonte foram registrados no grupo Educação (3,83%), seguido da Habitação (1,53%). Também pesou para a variação positiva o grupo Artigos de Residência (1,08%).

Todos os outros seis grupos pesquisados apresentaram alta na RMBH em fevereiro em relação a janeiro: Alimentação e bebidas (0,33%); Vestuário (0,67%); Saúde e cuidados pessoais (0,65%); Despesas pessoais (0,49%); Comunicação (0,32%); e Transporte (0,17%).

No grupo Educação, a maior variação foi puxada pela alta de 4,88% dos cursos regulares, por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. Segundo o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva, esse aumento refletido em fevereiro é natural. “Nós temos, sazonalmente, os reajustes das mensalidades escolares e dos cursos regulares”, diz.

No grupo Habitação, a variação foi de 1,53% em fevereiro. A alta foi impulsionada pelo subitem taxa de água e esgoto (6,56%), em razão do reajuste de 7,07% aplicado a partir de 22 de janeiro. A energia elétrica residencial também variou 1,68% em fevereiro, com a permanência da bandeira tarifária verde. O índice é cinco vezes maior que a média nacional que foi de 0,3%. “É uma diferença gritante. Isso acaba pesando bastante na composição”, afirma.

No entanto, o economista do BDMG destaca que este grupo foi o que mais impactou o índice da RMBH, excluindo a sazonalidade. Para ele, a alta do subitem Aluguel e taxas (1,86%) é o que mais pesou. “A Região Metropolitana de Belo Horizonte tem um problema estrutural de habitação. No agregado de 12 meses, nós temos alta de 7,17% enquanto no Brasil é 5,7%. Estamos e continuaremos performando com o grupo acima da média nacional, pressionando os preços”, diz.

Quanto ao grupo Artigos de Residência, Izak Silva comenta que o aumento reflete ao subitem Cama, mesa e banho, que também é sazonal.

Já o grupo Transporte, o aumento menos significativo (0,17%) reflete, conforme Izak Silva que o aumento do Transporte Público já não impacta tanto mais. As passagens de ônibus urbano em Belo Horizonte aumentaram 8,7% em 1º de janeiro.

Avaliando o que espera para a RMBH nos próximos meses, Izak Silva pontua, mais uma vez, que a tendência é de equalização entre os preços de Belo Horizonte e a média nacional. “Passamos por um longo período de tempo em que Belo Horizonte estava com inflação mais pressionada do que no restante do Brasil. Agora, há cerca de quatro meses, temos visto a inflação da Região Metropolitana de Belo Horizonte no acumulado de 12 meses menos pressionada do que a do Brasil”, conclui.

Visão da indústria é de alerta para próximos meses

Em leitura dos dados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a entidade ressalta que o resultado de fevereiro mostra que a inflação acumulada em 12 meses (3,42%) seguiu em trajetória de queda e ficou dentro do intervalo da meta da política monetária.

“No entanto, a alta do petróleo representa um risco importante para o IPCA nos próximos meses”, avalia o economista-chefe da instituição, João Gabriel Pio.

Na avaliação do economista da Fiemg, a dinâmica recente da taxa de câmbio deve continuar trazendo um alívio para a inflação de bens comercializáveis ao longo dos próximos meses.

Por outro lado, os preços de alimentos serão pressionados pelo estágio atual do ciclo pecuário e pela possibilidade de uma safra de grãos mais fraca. Além disso, o patamar elevado do preço internacional do petróleo, caso não se reverta nas próximas semanas, representa um risco significativo para a dinâmica da inflação em 2026.

“Caso a Petrobras opte por repassar a alta do petróleo, os aumentos da gasolina e do diesel serão substanciais, pressionando o IPCA tanto diretamente quanto através do aumento de custos no setor de transportes”, encerra Pio.

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