Economia

Mercado imobiliário projeta crescimento em 2026, com queda dos juros e novo Plano Diretor

Sob nova gestão, CMI/Secovi-MG ampliará o diálogo no interior de Minas e projeta crescimento do mercado imobiliário com relação a 2025
Mercado imobiliário projeta crescimento em 2026, com queda dos juros e novo Plano Diretor
Em Belo Horizonte, setor está confiante em mudanças estruturais ao longo do ano, como implementação do novo Plano Diretor | Foto: Diário do Comércio / Juliana Gontijo

O ano de 2026 desponta como um divisor de águas para o mercado imobiliário em Minas Gerais. Mesmo diante dos desafios econômicos, o setor mantém o otimismo, ancorado em mudanças estruturais ao longo do ano, como a implementação do novo Plano Diretor de Belo Horizonte e o fortalecimento do diálogo com municípios do interior.

No campo econômico, a expectativa de queda na taxa de juros deve impulsionar o poder de compra, reduzindo o custo do crédito imobiliário. Paralelamente, o cenário político de ano eleitoral também tende a estimular investimentos e o consumo de bens duráveis, como imóveis.

As perspectivas foram analisadas pelo novo presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Leirson Cunha, em entrevista ao Diário do Comércio.

O dirigente destaca que 2026 é propício tanto para proprietários quanto investidores do setor imobiliário devido à tendência de redução nos juros e ao aumento de capital disponível para investimentos, fator potencializado pelas eleições, apesar de desafios pontuais no calendário. “Será um ano desafiador, com fatores como a Copa do Mundo, que tende a dispersar o foco, mas historicamente anos eleitorais se mostram favoráveis ao mercado”, reforça.

Em Belo Horizonte, o ano será marcado pela definição do aguardado Plano Diretor, que deve orientar a ocupação urbana e influenciar diretamente o ritmo dos novos empreendimentos. Segundo Cunha, esse momento é favorável para a interlocução entre entidades, com foco em potencializar a atuação para sanar ou reduzir problemas na cidade.

“Entendemos que o prefeito tem uma postura favorável ao enfrentamento de problemas históricos da cidade, como mobilidade, segurança e a ocupação do espaço público. Acreditamos que a nossa diretoria pode contribuir com esse debate”, destaca.

Dentre as frentes de atuação do setor, a expectativa é positiva, com crescimento projetado tanto em loteamentos quanto em condomínios e locações, impulsionado pela atuação complementar entre os segmentos. “A percepção é de um cenário mais favorável e de avanço em relação a 2025. Nas locações, em especial, temos visto que cresce a importância de um mercado cada vez mais profissional, com orientação tributária mais adequada e segurança nas operações”, avalia o dirigente.

Nova gestão ampliará o uso de ferramentas por mais regiões do Estado

Depois de dez anos sob a liderança de Cássia Ximenes, a entidade inicia nesta quarta-feira, (21) um novo ciclo com a posse de Leirson Cunha, bem como de novos integrantes da diretoria. Apesar da mudança, a transição é encarada como um processo de continuidade, após um período marcado por modernização institucional, expansão do diálogo com o setor público e fortalecimento da representatividade do mercado imobiliário.

Com a proposta de estreitar conexões, a nova gestão deve ampliar a atuação em regiões fora do eixo metropolitano, articulando e ampliando o acesso a dados do mercado imobiliário no interior do Estado a partir do Data Secovi. A proposta da ferramenta é monitorar o comportamento das transações imobiliárias ao longo dos anos nos municípios, auxiliando profissionais do setor e administrações locais.

“Estamos abertos a construir essa ponte. É um termômetro importante para as prefeituras, porque ajuda a orientar planejamento urbano, arrecadação e políticas públicas”, acrescenta o dirigente.

Além do Data Secovi, a entidade também pretende ampliar a adesão do setor ao Posto de Atendimento Pré-Processual (Papre). O serviço, ligado ao Judiciário, em parceria com instituições locais, auxilia a conciliação e mediação, reduzindo trâmites de judicialização.

“De cada 10 casos que virariam processo, com a ferramenta, apenas quatro seguem adiante. O restante é resolvido antes, evitando desgaste para as partes, reduzindo custos e trazendo uma dinâmica mais humanizada para o mercado. É uma ferramenta que precisamos dar mais visibilidade”, reforça.

Diante nisso, para os próximos quatro anos de gestão, o dirigente pretende posicionar a entidade como ponte entre empresas, investidores e poder público. “Entendo que devemos sempre estarmos abertos ao diálogo, fortalecer o mercado imobiliário, construir pontes. A nova diretoria seguirá formada por pessoas sérias, ligadas a inovação, atentas e abertas ao diálogo”, finaliza Cunha.

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