Mercado imobiliário de Minas Gerais movimenta R$ 14,5 bilhões em vendas
O mercado imobiliário de Minas Gerais movimentou R$ 14,5 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em 2025, um aumento de 3,3% em relação ao ano anterior. O desempenho foi impulsionado especialmente por cidades do interior do Estado, que representaram a maioria das unidades comercializadas (51,5%).
Os dados constam em levantamento divulgado nesta quarta-feira, 25, pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Apesar do crescimento na movimentação financeira, o número de imóveis vendido caiu 17,78% na mesma base de comparação, atingindo 21.516 unidades. O presidente do Siduscon-MG, Rafael Lafetá, explica que entre os motivos para a retração está na legislação no Estado, que vem dificultando a construção de empreendimentos populares, como os do Minha Casa, Minha Vida.
Além do interior, Belo Horizonte respondeu por 30,3% das vendas no período, com 6.517 unidades vendidas e VGV de aproximadamente R$ 6 bilhões. Em seguida, a Região Metropolitana registrou 13,4% de participação nas vendas estaduais, com montante total de R$ 979 milhões.
Fora do eixo metropolitano, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, demonstra fôlego no mercado, concentrando sozinha 23,5% das vendas realizadas no interior, o equivalente a 5.055 unidades comercializadas. O resultado foi impactado pelo elevado número de lançamentos de imóveis de padrão econômico, o que tornou o estoque total semelhante ao observado na Capital.
Minas no cenário nacional
Embora expressivo, o volume de vendas no mercado mineiro representa fatia de 5% do mercado nacional, que comercializou 426 mil unidades no período.
“Os números ainda são modestos diante da grandeza do Estado. Hoje, os volumes são inferiores a outras localidades, reflexo de legislações mais restritivas, especialmente para habitações populares”, explica o presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá.
Principal motor de crescimento do mercado imobiliário no País, o Minha Casa Minha Vida (MCMV) respondeu por 46,1% das vendas nacionais, enquanto, em Minas Gerais, a participação foi de 30,6%. Essa diferença é explicada principalmente pelo desempenho de Belo Horizonte, onde o índice de participação do programa atingiu 5,6%.
Segundo o dirigente, a necessidade por empreendimentos populares é elevada na capital mineira, entretanto, é inviabilizada pela atual legislação. “A outorga é restritiva e a chamada outorga de interesse social se mostrou ineficiente, especialmente para a habitação de interesse social. Além disso, o município impõe tamanho mínimo de imóveis acima do que a própria norma brasileira estabelece, prejudicando novos lançamentos”, detalha.
Outro desafio citado pelo setor passa pela empregabilidade. Em 2025, o saldo de vagas na construção civil em Minas foi negativo (-6.198), gerando mais demissões do que admissões. Esse resultado teve forte influência na queda no número de vagas nas obras de infraestrutura, que ficou negativo (-8.517).
“Com a desaceleração e o encerramento de obras de infraestrutura, Minas Gerais, que até novembro figurava entre os cinco maiores geradores de emprego do País, terminou o ano com o pior saldo nacional, demitindo mais do que admitindo. Foi um resultado negativo inédito para o Estado”, explica a economista do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos.
Taxa de juros e orçamento recorde do FGTS projetam otimismo para 2026
Apesar dos entraves, a expectativa para 2026 é otimista e está ancorada à expectativa de início do ciclo de queda da taxa de juros, além da tendência de novos aportes e orçamento recorde de R$ 142 bilhões do FGTS para habitação.
“Estamos esperançosos com 2026. Esperamos destravar investimentos, retomar as obras e, com isso, ampliar a geração de empregos na construção civil. Minas precisa reagir, e essa reação passa pela vontade pública de modernizar as legislações”, finaliza Lafetá.
Mercado imobiliário em Minas: vendas por cidade (jan-dez/25)
- Belo Horizonte: 6.517 (30,3%)
- Uberlândia: 5.055 (23,5%)
- Contagem: 1.821 (8,5%)
- Juiz de Fora: 1.778 (8,3%)
- Nova Lima: 1.028 (4,8%)
Mercado imobiliário em BH e Nova Lima: vendas por região (jan-dez/25)
- Centro-Sul: 2.479 (32,9%)
- Nordeste: 1.034 (13,7%)
- Nova Lima: 1.028 (13,6%)
- Oeste: 830 (11%)
- Pampulha: 828 (11%)
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