Acordo Mercosul-UE: estudo mapeia 543 oportunidades para exportações brasileiras
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) publicou um estudo sobre as oportunidades de negócios para os setores produtivos brasileiros com o acordo Mercosul-União Europeia. O levantamento identifica 543 oportunidades de desgravação tarifária (eliminação ou redução gradual de tarifas entre países que firmaram um acordo comercial) em 25 países da UE, destacando setores como máquinas e equipamentos, produtos químicos, artigos manufaturados e alimentos.
Recentemente, com o acordo histórico firmado entre Mercosul e UE, após 25 anos de negociações, firmou-se uma parceria entre os dois blocos que, juntos, reúnem cerca de 720 milhões de consumidores e um PIB agregado de US$ 22 trilhões. Todavia, ainda há uma “caminhada” para que os negócios comecem.
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Após um pedido de revisão jurídica do acordo por parte do Parlamento Europeu, o início das trocas comerciais está suspenso, o que dá ao País tempo de criar estratégias antes de novas aventuras além-mar.
Mapa de negócios com os europeus
Entre os principais destaques do levantamento realizado pela ApexBrasil estão oportunidades de negócios identificadas em 25 países, organizadas por quatro grandes regiões do continente. Veja abaixo:

Fonte: ApexBrasil
Além disso, o material mostra que os setores com maior potencial para diversificar a pauta exportadora são máquinas e equipamentos de transporte, além de produtos como calçados, óculos de sol e joias de ouro ou prata, por exemplo.
No caso do agronegócio brasileiro, há cotas negociadas para carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, queijos e cachaça.
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Contexto mineiro
Minas Gerais exportou para o continente europeu US$ 10,8 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões) em 2025, de acordo com o Panorama de Comércio Exterior de Minas Gerais, elaborado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG).
O agro forte e a indústria extrativa mineira já têm boa penetração na Europa e o valor das exportações pode aumentar consideravelmente, já que as barreiras tarifárias devem ser reduzidas. Confira os produtos mais exportados pelo agro e pela indústria extrativa do Estado.
- café, que responde por 58% das vendas à UE;
- minério de ferro, que corresponde a 9% das vendas à UE;
- ferroliga, que corresponde a 8% das vendas à UE.
Já a indústria poderá ampliar sua presença frente a abertura de novos parceiros comerciais. Produtos como celulose, silício, ferro-gusa, peças para motores, tubos de aço, medicamentos embalados e equipamentos médicos terão reduções tarifárias que podem gerar mais facilidade para acessar o mercado europeu.
Alguns caminhos já estão pavimentados para a indústria de Minas na Europa. Dos dez principais parceiros comerciais do Estado, cinco são europeus: Alemanha, Países Baixos (Holanda), Reino Unido, Itália e Bélgica. Japão e China representam a Ásia, Estados Unidos e Canadá a América do Norte e Argentina, o continente Sul-Americano.
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Segundo o analista de Negócios Internacionais da Fiemg, Felipe Ramon, as oportunidades e impactos do acordo Mercosul-UE devem variar entre os diversos setores, que exigem estratégias caso a caso. “É importante fazer um balanço com cada setor, até porque, em um mesmo setor, podem existir perspectivas divergentes”, disse.
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