Economia

Micro e pequenas empresas garantem saldo positivo de empregos em Minas

Segmento encerrou 2025 com saldo positivo de 81,6 mil vagas no Estado, aponta levantamento do Sebrae com base nos dados do Caged
Micro e pequenas empresas garantem saldo positivo de empregos em Minas
Foto: Reprodução Adobe Stock

As micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis por sustentar a criação líquida de postos de trabalho no ano passado em Minas Gerais, com saldo positivo de 81,6 mil postos, conforme levantamento do Sebrae Minas com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

De acordo com o analista do Sebrae Minas Marcilio Duarte, o resultado reflete a relevância das MPEs no Estado. “Elas são responsáveis por mais de 99% das empresas do Estado. Então, são parte essencial e crucial da economia mineira. Dependemos muito delas e mais uma vez, vimos que, no final do ano passado, foram justamente elas que mantiveram um bom desempenho e conseguiram sustentar o número positivo geral”, ressalta.

Apesar do superávit, o número representa uma redução de 32% em relação a 2024, quando 111 mil vagas foram criadas pelas micro e pequenas empresas. “Ainda é cedo para cravar os reais motivos dessa queda, mas o número de vagas criado é um valor bem relevante já que o Brasil vive um momento de quase pleno emprego”, comenta.

Segundo Duarte, pelo fato da maior parte das pessoas estar empregada, naturalmente, fica mais difícil as contratações subirem. Além disso, fatores macroeconômicos também interferem nos resultados, sobretudo para médias e grandes empresas, mais vulneráveis ao cenário econômico.

Marcilio Duarte
Marcilio Duarte atribui o superávit de empregos em Minas ao desempenho das micro e pequenas empresas | Foto: Acervo Sebrae

“Por exemplo, o setor da indústria – que engloba as médias e grandes empresas – é um setor que depende muito de crédito e o crédito, no momento, está mais elevado. Além dele, temos os fatores como os custos que contribuem para enfraquecer um pouco o setor, dificultando bons resultados. Além da indústria, outro setor afetado é o da construção civil. Esses segmentos mais dependentes da taxa de juros, acabam sofrendo mais”, pontua.

As médias e grandes empresas foram justamente as empresas que tiveram resultados negativos. De acordo com os dados, elas encerraram o ano com retração de 3,3 mil vagas.

Na análise setorial, serviços lideraram a geração de empregos (45,6 mil) no Estado, seguidos por comércio (20,2 mil) e indústria (14 mil). A construção civil, por sua vez, apresentou retração expressiva, com fechamento de 7,5 mil postos.

Futuro

Ainda de acordo com Marcílio Duarte, apesar do ritmo mais moderado, os dados de confiança do empresário mostram uma melhora para 2026, com boas expectativas para os próximos meses. Mas pondera que o ambiente segue desafiador.

“Os dados de confiança empresarial mostram melhora no início de 2026, especialmente nas expectativas para os próximos meses. Ainda assim, o ambiente segue desafiador, com condições financeiras mais restritivas no ambiente macroeconômico atual, o que tende a limitar decisões de consumo e investimento”, avalia.

Apesar disso, Duarte comenta que, em Minas Gerais, setores estratégicos tendem a sustentar o crescimento no curto prazo e a expectativa é de crescimento moderado no começo deste ano, com destaque positivo para a mineração, impulsionada por novos projetos, e para a agropecuária, especialmente o café, em função do ciclo de bienalidade positiva da produção prevista para o ano.

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