Minas chega a 77 Arranjos Produtivos Locais, e governo promete fortalecer iniciativa
Minas Gerais tem, agora, 77 novos Arranjos Produtivos Locais (APLs), o que pode ajudar a impulsionar várias economias locais no Estado. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG) publicou os novos APLs no Diário Oficial do Estado. Os dois novos membros deste “clube”, que contava com 75 polos em 2025, são a Charcutaria da Zona da Mata e a Desmontagem Veicular, de Belo Horizonte e RMBH.
Os APLs são aglomerações geográficas de empresas e instituições (produtores, fornecedores, universidades, órgãos públicos) que atuam no mesmo setor produtivo. Elas ajudam a manter vínculos de cooperação e competição para fortalecer economias locais, gerar empregos, aumentar a competitividade e inovar, por meio de ações conjuntas e compartilhamento de recursos e conhecimentos. Há segmentos de várias áreas econômicas, como agronegócio, economia criativa (cinema, artes), calçados, vestuário, bebidas (cervejas artesanais), eletrônico, ecológico, entre outros.
O impacto dos 77 Arranjos Produtivos Locais no Estado é visível. São 313 municípios mineiros em todas as regiões de Minas Gerais reconhecidos como APL, que geram mais de 250 mil empregos diretos. (Confira a lista completa abaixo).

Principais Vantagens de um polo ser APL
- Aumento de competitividade: A cooperação entre empresas do mesmo setor, mesmo sendo concorrentes, pode gerar vantagens competitivas duradouras para todo o arranjo, melhorando processos produtivos e a agilidade da cadeia.
- Fortalecimento da economia local: Os APLs promovem o desenvolvimento produtivo local, geram empregos diretos e criam oportunidades, ajudando a atenuar desequilíbrios regionais e sociais.
- Acesso a políticas públicas e financiamento: Ser um APL reconhecido oferece acesso preferencial a políticas de fortalecimento, editais de fomento e linhas de crédito específicas de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e órgãos governamentais.
- Inovação e aprendizado constante: A interação próxima com centros de pesquisa, universidades e outras instituições facilita a troca de conhecimentos, o aprendizado constante e o desenvolvimento de novas tecnologias e práticas inovadoras.
- Eficiência na cadeia produtiva: A concentração geográfica permite que as empresas se beneficiem de insumos comuns, tecnologias semelhantes e informações de mercado compartilhadas, resultando em maior eficiência logística e produtiva.
- Visibilidade e representação: Um APL tem maior poder de negociação e representação junto a órgãos governamentais e mercados maiores, o que ajuda a enfrentar desafios de forma mais coesa.

O que deve ser trabalhado em 2026?
O superintendente de Micro e Pequenas Empresas da Sede-MG, Marco Antônio Mendonça Gaspar, afirma que o governo mineiro vai buscar fortalecer os parceiros e revela que já tem três polos interessados em serem reconhecidos como APL.
“Em 2026, o governo de Minas, por intermédio da Sede, dará seguimento no trabalho de fortalecimento das governanças dos APLs via parcerias com diversos atores. Além disso, será dada continuidade no apoio em feiras setoriais e eventos com a participação de empresas que integram os APLs, por meio do programa “Vem de Minas”, ação integrada ao apoio à internacionalização dos APLs, conforme os critérios estabelecidos no programa. Para 2026, já existem três polos produtivos interessados em serem reconhecidos, sendo estes: Charcutaria do Norte de Minas; Polvilho de Rio Pardo de Minas, e Cachaça do Vale do Piranga”, conta.

Como um município pode se credenciar a virar APL
Para uma cidade pleitear seu credenciamento como Arranjos Produtivos Locais (APLs), ela tem de seguir algumas etapas e protocolos. Assim, o governo de Minas entra no circuito levantando possíveis polos produtivos.
“O passo seguinte são as visitas realizadas nos municípios desses polos, de forma a manter contato com as prefeituras e instituições locais, abrindo caminho para a realização de reuniões focadas em explicar todos os conceitos, benefícios e processos para o reconhecimento de um APL”, detalha o superintendente da Sede.
“Importante destacar que o poder público é fundamental para apoiar os empresários do setor na estruturação de um Arranjo, assim como são fundamentais os empresários e entidades de apoio como: Sebrae; Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg); Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg); Associações Comerciais e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL); e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs); os quais fazem, em conjunto, a política pública se realizar na região. Portanto, o APL é de iniciativa de uma união feita pelas lideranças do setor, pelo setor público e por entidades que apoiam esse movimento”, completa Gaspar.

O que uma cidade ganha ao ser um APL
Em 2025, foram reconhecidos 5 Arranjos Produtivos Locais (APLs), totalizando 77 APLs reconhecidos no Estado. Os 5 reconhecidos no ano passado foram: Polo Cine Vale; Tomates de Carmópolis de Minas; Jabuticaba de Cachoeira do Campo; Charcutaria da Zona da Mata e Desmontagem Veicular de Belo Horizonte e Região Metropolitana.
“Com o reconhecimento, o que muda é a intensidade das ações focadas no desenvolvimento das governanças dos APLs existentes. Outro grande benefício é que cooperando de forma associativista, as empresas que compõem um APL ganham representatividade e a possibilidade de, além de atrair recursos e diminuir custos, ter informações de oportunidades de mercado, subsídios e outros mais que resultam na geração de emprego e renda para os municípios onde se encontram”, comenta o superintendente de Micro e Pequenas Empresas do Estado.
“No início do programa de estruturação dos APLs em Minas Gerais, o esforço foi buscar polos que pudessem ser reconhecidos e convidá-los a se estruturarem para tanto. Desde 2019, o governo de Minas, além de reconhecer novos arranjos, atuou na evolução de governanças, reclassificando os APLs, ampliando a capacidade dos polos coordenarem esforços que geram maiores recursos e melhores oportunidades para todas as empresas envolvidas”, conclui.
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