Consumidor prioriza gastos básicos e comércio mineiro recua 0,4% em janeiro
Janeiro de 2026 foi um mês de leve variação negativa no movimento do comércio em Minas Gerais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Mensal do órgão indicou queda de 0,4% na atividade comercial mineira. Combustíveis e seus derivados, como lubrificantes, foram os fatores que mais contribuíram para a retração comercial. O resultado no Estado é diferente do desempenho nacional, que teve crescimento de 0,4%.
Para o IBGE, o percentual negativo é lido como um “empate”, já que não houve queda acentuada no geral. Para o período, variações para baixo são esperadas, uma vez que, na parte final do ano, entre novembro e dezembro, o comércio conta com datas expressivas de vendas, como a Black Friday e o Natal.
O analista do IBGE Daniel Dutra afirma que o consumidor optou por priorizar despesas básicas, como alimentação, cuidados pessoais e compras de remédios, em detrimento à aquisição de bens duráveis (eletrodomésticos, veículos e móveis). Quanto aos combustíveis, a menor movimentação interna de pessoas pode ter contribuído para a redução desse tipo de comércio.
“O consumo diário continua alto porque a inflação está baixa. Agora, móveis, bens duráveis, itens de valor agregado mais alto são itens que as pessoas podem escolher comprar ou não. Eu posso escolher comprar um carro, comprar um guarda-roupa. E itens que as pessoas podem adiar a compra, estão adiando”, diz.
Desempenho era esperado, dizem economistas
A avaliação feita pelo IBGE parece ser consenso entre os analistas de economia consultados pela reportagem. De acordo com o economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) Érico Grossi, esse desempenho é esperado para o primeiro mês do ano. “É preciso lembrar que esse período concentra despesas obrigatórias para muitas famílias, como IPTU, IPVA e matrícula escolar. Esses gastos comprometem uma parte da renda e, com isso, as compras no comércio tendem a ter um patamar menor”, avalia Grossi.
Para a economista da Fecomércio-MG Gabriela Martins, essa redução no início do ano em relação ao mês imediatamente anterior é aguardada. “O mês de dezembro é marcado pela alta de vendas no comércio varejista e, com a chegada da Black Friday, há um aumento significativo de vendas. O efeito de queda em janeiro está muito atrelado a isso, ao pico da demanda que ocorreu em novembro”, pontua.
Crescimento segue, mesmo com juros em alta
Daniel Dutra, do IBGE, traz outro ponto em sua avaliação sobre a retração do comércio em janeiro: a taxa de juros. Para ele, ao tentar conter a inflação, o governo opta por manter os juros mais altos. Com isso, circula menos dinheiro e o consumo recua. Gabriela Martins, da Fecomércio, concorda com a análise, mas acredita que o comércio pode se manter otimista, com expectativa de crescimento ao longo do ano, mesmo que em patamares menores do que em anos anteriores.
“Apesar desse resultado negativo em janeiro, a expectativa é que o comércio se mantenha em uma trajetória de crescimento menos acentuado que anos anteriores. O comércio não deve crescer tanto quanto em 2023, 2024 e até mesmo em 2025. Mas a expectativa é que mantenha crescimento em 2026, apesar das altas taxas de juros e do endividamento do consumidor”, defende.
“O mercado de trabalho está muito aquecido e isso faz com que muitas famílias consigam manter seu padrão de consumo, o que consequentemente faz com que o comércio não sinta tanto”, encerra Gabriela Martins.
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