Economia

Indústria de alimentos em Minas cresce, mas vê riscos com cenário externo

Associação nacional crê em crescimento, mas o segmento no Estado prefere observar os movimento da guerra no Oriente médio para previsões
Indústria de alimentos em Minas cresce, mas vê riscos com cenário externo
Foto: Reprodução Adobe Stock

O setor de alimentos brasileiro e mineiro ainda está em “céu de brigadeiro” neste começo de 2026. Após um ano de 2025 robusto, com faturamento bruto total de mais de R$ 1 trilhão — Minas Gerais abocanhou R$ 164,5 bilhões da receita, 17,5% a mais do que em 2024 —, nem os conflitos do Oriente Médio devem afetar a evolução do segmento este ano.

O trunfo para a manutenção do otimismo vem do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), ligado ao Ministério da Fazenda, que reduziu as taxas de importação de resinas plásticas — derivadas do petróleo e utilizadas na fabricação de embalagens. Cerca de 15% dos custos da indústria de alimentos provém da confecção de embalagens.

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Por isso, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) tem boas perspectivas para este ano, com crescimento no faturamento entre 2% e 2,5%, impulsionado pela continuidade da demanda doméstica e pela recuperação gradual do mercado internacional.

“Em 2026, a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento. Ainda haverá desafios, especialmente do lado dos custos, mas o setor entra nesse ciclo com bases sólidas para crescer de forma sustentável, gerar empregos e seguir cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do país”, afirma o presidente executivo da Abia, João Dornellas.

Copa do Mundo

Outro fator que pode ser pontual, mas importante para o crescimento do setor, é a Copa do Mundo, no meio do ano. O gerente de Economia e Inteligência Competitiva da ABIA, Cleber Sabonaro, afirma que “haverá impacto positivo sobre a indústria de alimentos, mas de forma pontual, pois o evento tende a estimular ocasiões de consumo ligadas à socialização e à conveniência, especialmente durante os jogos. Para a indústria, esse movimento se traduz em maior demanda por categorias como produtos prontos, snacks e itens voltados ao consumo imediato”, explica.

Cautela mineira

Apesar do otimismo no âmbito nacional, o setor em Minas Gerais tem observado com ressalvas os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e projeta um ano com números positivos, mas com crescimento menor do que o esperado.

O presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Fiemg, Vinícius Dantas, acredita que haverá pressão inflacionária nos insumos e, mesmo com os resultados recentes, o segmento está preocupado.

“A indústria consome 70% dos produtos agrícolas do Estado. E os custos do agro devem ser afetados pelo conflito. Por isso, a gente está vendo com uma certa preocupação a situação. A logística é um negócio muito sério para o Brasil. E a gente sabe que, se o petróleo for prejudicado, o setor de embalagem, a matéria-prima do plástico, tudo isso vai ter uma majoração de preços pela dificuldade de passagem no estreito”, disse.

Vinícius também afirma que o consumo pode ser afetado neste momento, pois os compromissos financeiros das famílias estão altos, o que pode refletir no mercado como um todo. Se houver repasse de custos ao consumidor final, pode haver retração na compra de alimentos.

“O mercado nesse momento é restritivo, ou seja, há uma insegurança econômica. O período do ano não é muito positivo. Geralmente, as pessoas viajam no final do ano e chegam com vários compromissos — IPVA, IPTU, matrícula de filho, material escolar — e o dinheiro fica um pouco curto”, comenta.

“Vai ser repassado (custos de produção), mas a gente não vai conseguir repassar de uma única vez. Nós vamos ter que escalonar isso, porque realmente não tem mercado para isso”, finaliza.

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