Economia

Arrecadação de impostos em Minas bate recorde e totaliza R$ 294,5 bilhões

Aumento pode estar atrelado a fatores como inflação, mudanças tributárias, além de outras medidas federais que ampliaram a base arrecadada
Arrecadação de impostos em Minas bate recorde e totaliza R$ 294,5 bilhões
Os impostos municipais arrecadados em Belo Horizonte somaram R$ 6,4 bilhões no ano passado, aponta o Impostômetro da ACSP | Foto: Rordrigo Clemente / PBH

Minas Gerais encerrou o ano de 2025 com arrecadação recorde de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes aos governos federal, estadual e municipal. Em 12 meses, foram recolhidos R$ 294,5 bilhões, um avanço de 9,7% frente aos R$ 268,4 bilhões registrados em 2024.

Os números foram calculados pelo Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e respondem por 7% do total arrecadado no País. As principais fontes de receita foram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e o Imposto de Renda (IR), além de impostos de importação e previdência.

Somente em Belo Horizonte, foram R$ 6,4 bilhões em impostos municipais arrecadados no ano passado. O desempenho não apenas supera os R$ 5,8 bilhões de 2024, mas também ultrapassa o ritmo de crescimento de Minas Gerais na totalidade.

Principal fonte de arrecadação em Minas Gerais, o ICMS atua como um indicador direto do consumo, incidindo sobre produtos essenciais como alimentos, energia e combustíveis. No âmbito municipal, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) exerce função semelhante, sendo a principal fonte de receita própria das prefeituras.

De acordo com a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Fernanda Gonçalves, o aumento na arrecadação em 2025 pode estar atrelado a fatores como a inflação, mudanças tributárias, além de outras medidas federais que ampliaram a base arrecadada. “Em 2025, os preços subiram cerca de 4,4%, houve aumento de ICMS sobre combustíveis, o que aumentou o valor das transações e consequentemente a arrecadação de impostos”, destaca.

Embora o aumento na arrecadação viabilize novos investimentos, a economista ressalta a importância do equilíbrio fiscal, que ajuda a manter as contas públicas em dia e reduz os custos de cortes e aumento de dívidas. “É necessário também ter atenção, pois se o aumento vier só da inflação, o ganho é temporário. Ou seja, é preciso investir bem para garantir benefícios duradouros”, complementa.

No País, a arrecadação também atingiu valores recordes, totalizando R$ 3,98 trilhões, posicionando-se entre as 25 nações com as maiores cargas tributárias do mundo. Tradicionalmente, os impostos sobre o consumo representam a maior parte da arrecadação total de tributos.

Em 2024, o setor da Indústria correspondeu pela maior arrecadação de impostos dentre as atividades, cerca de 35%. Em seguida, comércio (25%-30%), serviços (20%-25%), energia (10%-15%) e agroindústria (8%-12%) também se destacaram.

Com Reforma Tributária, arrecadação deve saltar até 15% em sete anos

A partir de 2026, com o início de implementação da reforma tributária, a expectativa apontada pela ACSP é de arrecadação estável ou com leve queda líquida devido a isenções e cashback. Entretanto, espera-se um crescimento econômico tímido (0,5% a 1% adicional ao PIB anual) à medida que empresas se adaptarem.

Entre 2030 e 2032, a projeção calculada é de aumento gradual da arrecadação à medida que o sistema se consolida. Nesse contexto, espera-se um Produto Interno Bruto (PIB) crescendo até 2% ao ano além da média, puxado por investimentos.

Já após 2033, a arrecadação de impostos deve ser potencialmente maior, cerca de 10% a 15% se comparado ao cenário sem reforma. Com a base tributável ampliada, espera-se um PIB entre 12% a 20% maior em 15 anos, se a eficiência prometida se concretizar.

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