Investimento de longo prazo será o perfil da indústria mineira em 2026, diz Fiemg
O empresário da indústria representa um traço bem característico de Minas Gerais: a desconfiança e a cautela em agir. Um levantamento da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) indica, em números, como a mineiridade está presente nos industriais do estado. A sondagem da entidade aponta que 68% das empresas do setor que realizaram investimentos ao longo de 2025 o fizeram com base em planejamentos estratégicos definidos anteriormente, sem levar em conta movimentos conjunturais da economia.
O perfil dos investimentos é focado no longo prazo. Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico mais restritivo — juros elevados, incertezas fiscais e volatilidade — impôs maior cautela, especialmente na abertura de novos ciclos de investimento.
“Quando a gente observa esse investimento e as perguntas que os empresários nos respondem, percebemos que a maioria deste investimento reflete planos estruturados anteriormente. Não é um novo ciclo de investimentos que o empresário está fazendo. Ele não está expandindo — a maioria não está expandindo a capacidade produtiva nesse momento. Na verdade, eles estão continuando um projeto de expansão que não foi definido esse ano, foi definido ano passado, ano retrasado”, explica o economista da Fiemg, Arthur Augusto Dias.
“Isso evidencia o caráter estratégico das decisões industriais, porque a indústria não faz um investimento para curto prazo. O empresário industrial está sempre observando a médio e longo prazo, porque o investimento dele é muito grande — ele vai comprar uma máquina nova, caríssima, vai expandir a planta produtiva, tem que olhar a questão de energia, de emprego. Então, eles sempre pensam a médio e longo prazo, olhando a demanda lá na frente. E esse número está refletindo isso. Na verdade, a maioria do investimento não é investimento novo, é uma continuação de algo que já foi decidido lá atrás”, completa.
Novos aportes
Mais da metade dos investimentos realizados em 2025, equivalente a 58,8%, esteve vinculada a planejamentos iniciados anteriormente. Ainda assim, 33,6% dos empresários indicaram que os aportes realizados marcaram o início de novos projetos no próprio ano. Entre as empresas que tinham investimentos previstos, 65,2% conseguiram executá-los total ou parcialmente, enquanto 11,6% foram adiados ou cancelados, refletindo os impactos do ambiente econômico.
Para 2026, 60,6% das indústrias mineiras planejam realizar algum investimento. Desse percentual, apenas 25,8% afirmam que o aporte corresponde ao início de um novo plano. Isso significa que, na prática, apenas cerca de 15% do total das indústrias planejam iniciar um novo ciclo de investimento em 2026. “É um percentual mais condizente com o cenário, mais baixo”, comenta Arthur Augusto.
Dinheiro caro
O levantamento indica que o custo elevado do capital também pode afastar o empresário de novos aportes em seus negócios este ano. O industrial tende a fazer duas avaliações antes de investir: se há perspectiva de demanda no médio e longo prazo, e se o custo do capital não irá corroer suas margens ao realizar um aporte financeiro.
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A pesquisa da Fiemg revelou uma postura de austeridade do empresariado mineiro em relação ao uso do dinheiro: a maioria dos investimentos foi — ou é — financiada predominantemente por recursos próprios, sem recorrer a empréstimos de terceiros.
“Se o empresário acreditar que tem demanda, ele vai avaliar o custo de capital. E isso faz muito sentido, porque o custo de capital está muito elevado. Os juros estavam em 15%, agora estão em 14,75%”, conclui o economista da Fiemg, Arthur Augusto Dias.
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