Minas aposta em biometano e hidrogênio verde para atrair investimentos e gerar empregos
O governo de Minas Gerais publicou, nesta semana, no Diário Oficial do Estado, o Decreto 49.172/2026, regulamentando as Leis 24.396/2023 e 24.940/2024, que tratam sobre as políticas estaduais do biogás e biometano e do hidrogênio de baixo carbono e hidrogênio verde, respectivamente. A normativa também trouxe diretrizes para o compartilhamento e a integração da infraestrutura de gás canalizado para a distribuição desses biocombustíveis.
Conforme o superintendente de Política Minerária, Energética e Logística da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede), Raphael Evaristo Rodrigues, o texto visa criar um ambiente com segurança jurídica, atrair investimentos, estimular a criação de plantas industriais e infraestruturas e consolidar Minas Gerais como um hub de biometano e hidrogênio, focado na produção de produtos “verdes”.
Segundo ele, o decreto também é fundamental para o avanço de projetos no Estado, incluindo o que a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) tem para o Triângulo Mineiro. O plano da estatal é de utilizar, em um primeiro momento, gasodutos virtuais para o transporte de biometano comprimido via modal rodoviário, e, posteriormente, construir cerca de 244 quilômetros (km) de gasodutos físicos, de acordo com o superintendente.
Rodrigues destaca que esse projeto da Gasmig é visto como estratégico porque na região há produção de biometano e alta demanda industrial. Cabe lembrar que, no ano passado, a Zeg Biogás, a primeira produtora de biometano de Minas Gerais, foi inaugurada no município de Tupaciguara, no Triângulo, com investimento de R$ 78,6 milhões.
O representante da Sede salienta que existem outros dois produtores de biometano no Estado, no entanto, eles estão em fase de autorização pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar as operações. As unidades ficam em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Quanto ao hidrogênio verde, ele ressalta que a produção é complexa, portanto, os projetos ainda não são realidade. “Nós temos já estudos bem avançados aqui em Minas Gerais, principalmente através de uma parceria que temos com a província de Yamanashi, no Japão, que é a irmandade mais antiga do nosso Estado com uma província internacional”, ressalta.
Sobre o biogás, Rodrigues salienta que há 359 empreendimentos em operação no Estado e 98% do volume produzido vai para a geração de energia elétrica. De acordo com o superintendente, a produção mineira representa em torno de 10% da nacional.
Normativa deve impulsionar geração de empregos
O superintendente de Política Minerária, Energética e Logística da Sede espera que o decreto impulsione a geração de empregos e o crescimento da massa salarial. Ele acredita que o desenvolvimento do setor está atrelado a essa regulamentação.
Nesse sentido, Rodrigues lembra uma projeção feita pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), no relatório “Proposta de Fomento à Produção de Gás Natural Renovável em Minas Gerais”, de 2022. A previsão foi de que o mercado de biogás e biometano pode, nos próximos anos, gerar 60 mil empregos diretos e indiretos, além de um aumento da massa salarial de aproximadamente R$ 1 bilhão.
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