Economia

Indústria mineira tem a pior taxa de confiança na economia em uma década

Fatores internos e o conflito no Oriente Médio são as grandes preocupações do industria de Minas Gerais segundo a Fiemg
Indústria mineira tem a pior taxa de confiança na economia em uma década
Foto: Jorge Silva/Reuters

O empresário da indústria mineira está pouco otimista com o cenário econômico. De acordo com o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG), ligado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), março foi o pior mês dos últimos dez anos. A pesquisa registrou 44,8 pontos, uma queda de 1 ponto em relação a fevereiro (45,8 pontos) na confiança do setor industrial na conjuntura econômica.

O resultado acendeu um alerta em toda a cadeia industrial. Na comparação com março de 2025, quando o índice marcava 47,9 pontos, houve uma retração de 3,1 pontos, configurando o pior desempenho para o mês em dez anos. O indicador também segue distante da média histórica de 52,2 pontos, reforçando o cenário de desconfiança persistente no setor industrial mineiro.

Outro dado preocupante é que o índice se mantém abaixo da linha de 50 pontos — que separa confiança e falta da mesma — pelo 16º mês consecutivo.

Motivos conhecidos

Fatores internos, como juros altos e baixa previsibilidade, estão entre os elementos mais citados pelos empresários para justificar a desconfiança no cenário econômico. Entre os motivos para a desconfiança da classe, se soma um componente mais recente: o ambiente internacional instável, marcado pela guerra no Oriente Médio, que também tem contribuído para a cautela do setor.

Tensões geopolíticas e oscilações nas condições financeiras globais ampliam as incertezas e influenciam as decisões de investimento. Diante desse cenário, a indústria mineira segue operando com expectativas moderadas e postura conservadora, à espera de condições mais favoráveis para a retomada da confiança.

“Essa permanência abaixo de 50 pontos, já por 16 meses seguidos, indica um ambiente prolongado de cautela por parte dos industriais. Isso está associado principalmente ao ciclo monetário restritivo e à baixa previsibilidade econômica, porque a confiança está muito ligada à previsibilidade que o empresário tem, seja no curto, no médio e no longo prazos. Existe hoje uma incerteza muito grande”, explica a coordenadora de pesquisas econômicas da Fiemg, Daniela Muniz.

A desconfiança do empresariado mineiro acompanha a tendência nacional. O Icei brasileiro recuou de 48,2 pontos em fevereiro para 46,6 pontos em março, acumulando 15 meses consecutivos abaixo da linha de confiança. Esse cenário reflete um contexto macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados, crédito restrito e os efeitos ainda presentes da inflação sobre os custos de produção e o consumo das famílias.

Como fazer a confiança voltar

Para a coordenadora de pesquisas econômicas da Fiemg, Daniela Muniz, “a recuperação da confiança depende de alguns fatores. Inicialmente, de uma redução consistente da inflação. A partir do momento em que isso ocorre, abre-se espaço para a continuidade da queda dos juros — talvez em ritmo mais acelerado do que o atual —, gerando um efeito em cadeia de melhora nas condições de crédito, com impacto muito positivo na economia. Externamente, uma maior estabilidade no cenário internacional também será fundamental”, conclui.

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