Economia

Com três inaugurações, Minas lidera expansão de shoppings no Sudeste em 2026

Apenas no primeiro semestre, são esperadas inaugurações de projetos que ultrapassam R$ 300 milhões em aportes nas cidades de Uberlândia, Lavras e Belo Horizonte
Com três inaugurações, Minas lidera expansão de shoppings no Sudeste em 2026
O Espaço 356, em Belo Horizonte, aposta no conceito de Living Center e reúne lazer, gastronomia, design e serviços em um único ambiente | Foto: Divulgação Espaço 356

O setor de shopping centers em Minas Gerais vive um momento de forte aceleração. Com três grandes inaugurações confirmadas para o primeiro semestre de 2026, o Estado se consolida como o principal vetor de expansão na região Sudeste, região que concentra 57% do faturamento nacional do setor, que pela primeira vez superou os R$ 200 bilhões.

Os dados são da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). A expansão prevista para este ano eleva o número de empreendimentos no território mineiro de 49 para 52, com projetos que ultrapassam R$ 300 milhões em investimentos, apostando em conceitos modernos, como open malls voltados ao lazer e gastronomia.

Uma das aberturas mais expressivas para Minas Gerais é o NV Boulevard, que será inaugurado ainda no primeiro semestre em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Com investimento superior a R$ 100 milhões, o espaço segue o conceito Open Mall de luxo na Zona Sul (região dos Vinhedos) e focará a arquitetura integrada à natureza e escritórios-boutique.

No Sul de Minas, a cidade de Lavras ganhará o Shopping Cidade da Serra, com aporte de aproximadamente R$ 125 milhões. O mall terá capacidade para 130 lojas (incluindo âncoras como Renner e Supermercados BH), suprindo uma demanda histórica da região.

Já em Belo Horizonte, a aposta da vez é o Espaço 356, o primeiro Living Center de Minas Gerais. O empreendimento recebeu aportes de aproximadamente R$ 120 milhões e propõe uma mistura de lifestyle, design e serviços. Apesar da inauguração oficial neste ano, o espaço foi apresentado ao público em 2023 como sede da Casacor Minas.

A diretora de Planejamento Estratégico e Operações da Abrasce, Gabriella Oliveira, comenta que o protagonismo de Minas Gerais reflete um movimento de descentralização e busca por capilaridade. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro possuem mercados com alta densidade e menor oferta de terrenos estratégicos, Minas Gerais apresenta um cinturão de cidades com demanda reprimida e um Produto Interno Bruto (PIB) em constante diversificação.

Além disso, o Estado combina segurança jurídica atrativa para o investidor com um perfil de consumo resiliente. “Essa liderança na expansão ocorre porque ainda existem janelas de oportunidade para projetos que integram varejo e serviços em regiões onde a concorrência direta ainda não atingiu o ponto de saturação”, explica a gestora.

Espaços se adaptam ao público e interior do Estado é grande aposta de crescimento para a próxima década

O formato dos novos centros comerciais mineiros, também mudou, evoluindo para modelos híbridos, o que alavancou o fôlego do setor. As lojas âncora, que antes eram grandes lojas de departamentos, hoje são protagonizadas pelo lazer e a gastronomia, transformando os espaços em centros de convivência e entretenimento.

“O setor se consolidou como um polo de convivência e consumo. Ao mesmo tempo, virou um apoio importante para as vendas on-line, funcionando como ponto de retirada e distribuição do e-commerce”, destaca Gabriella Oliveira.

Outro ponto observado pela entidade é o avanço do setor no interior do Estado, hoje considerado o grande motor de crescimento para a próxima década. A avaliação é que o interior encontra-se em vantagem ao oferecer menores custos de aquisição aliados a alta fidelidade do consumidor.

“Hoje, os shopping centers tradicionais estão mais presentes fora das capitais, enquanto os especializados mantêm distribuição equilibrada”, avalia a gestora.

Nos próximos anos, a expectativa é Minas Gerais amplie mercados e se consolide como palco de expansão e inovação. “A estratégia nacional passa obrigatoriamente pela consolidação de Minas como um exemplo de como integrar o varejo físico à conveniência tecnológica, mantendo o acolhimento e a relevância social que são marcas registradas do setor”, finaliza Gabriella Oliveira.

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