Economia

Mineiros gastaram R$ 26 bilhões com remédios em 2025 e valor deve aumentar neste ano

E o valor pode ficar ainda maior em 2026, pois um aumento dos medicamentos está previsto para o começo de abril
Mineiros gastaram R$ 26 bilhões com remédios em 2025 e valor deve aumentar neste ano
Gastos com medicamentos no Brasil somaram R$ 238,9 bilhões no ano passado | Foto: Reprodução Adobe Stock

A população de Minas Gerais fez uso intenso de medicamentos para tratamentos médicos em 2025. Segundo dados da Pesquisa IPC Maps, especializada em potencial de consumo, no ano passado os mineiros gastaram R$ 26,5 bilhões em compras de medicamentos (alta de 11,1% em relação a 2024), tornando o Estado o segundo maior consumidor do País. São Paulo ficou em primeiro lugar, com R$ 67 bilhões em gastos.

No total nacional, as famílias brasileiras gastaram 10,7% a mais com remédios do que em 2024, passando de R$ 216 bilhões para R$ 238,9 bilhões. E a conta pode ficar ainda mais salgada em breve: no dia 1º de abril deve entrar em vigor um reajuste de preços, e a tendência é que o valor gasto com remédios seja ainda maior em 2026.

Segundo Felipe Almeida de Araújo Lima, fundador das empresas Farmacêutica Now e Nexus Treinamentos, esse movimento de remarcação de preços é quase natural nessa época do ano, pois antecipa o novo ano fiscal da indústria farmacêutica. “É comum chamarmos o mês de março de ‘pré-alta’, pois ele antecede o período de reajuste de preços dos medicamentos no Brasil, que ocorre anualmente em abril. No entanto, esse termo não é oficial do ponto de vista regulatório – trata-se de uma nomenclatura utilizada pelo mercado para descrever um comportamento comercial e estratégico”, explica.

Quem aumenta o preço?

Quem define efetivamente o reajuste de preços é a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), órgão vinculado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por publicar o percentual máximo de reajuste permitido. Segundo Felipe Almeida, nos últimos anos esse percentual tem ficado entre 2% e 5%, em média, em razão do encarecimento de insumos – o que impacta diretamente o orçamento das famílias.

É nesse contexto que o conceito de “pré-alta” ganha relevância. Em março, distribuidores, farmácias e até consumidores finais tendem a antecipar compras para evitar pagar preços mais altos após o reajuste, gerando um aumento de demanda no período.

Economia melhor, consumo maior

O crescimento no consumo de remédios no Brasil tem como principal fator a melhoria no acesso por parte da população, impulsionada por um cenário econômico mais favorável, que permitiu a uma parcela maior dos brasileiros adquirir medicamentos para tratamentos diários e pontuais.

“O aumento do consumo de medicamentos no Brasil é multifatorial e reflete mudanças estruturais no acesso à saúde. O acesso hoje está facilitado, com maior disponibilidade de medicamentos no mercado — especialmente com a ampliação dos genéricos, que aumentam a concorrência e facilitam o acesso ao tratamento. Com mais indústrias produzindo, esse acesso se torna mais expressivo para a população”, afirma o coordenador do curso de Farmácia do Centro Universitário Newton Paiva, Guilherme Vaz de Melo Trindade.

Outro fator relevante é a ampliação de políticas públicas, subsídios e sistemas de coparticipação e copagamento, nos quais o governo investe maciçamente, oferecendo mais moléculas e alternativas terapêuticas, o que reduz a barreira econômica para as famílias que aderem a um tratamento medicamentoso.

Contribuem ainda para esse cenário o crescimento da população idosa no Brasil e o aumento de doenças crônicas, como obesidade e hipertensão. A obesidade, por exemplo, atinge 31% dos brasileiros, impulsionando o uso contínuo de medicamentos para tratar essas condições.

Genéricos podem ajudar

Para mitigar o impacto no orçamento familiar nas próximas compras de remédios, algumas medidas são essenciais, segundo o professor Guilherme Vaz. “O uso de medicamentos genéricos é um dos principais caminhos, pois oferece menor custo com a mesma eficácia. Programas de acesso da indústria, o Farmácia Popular e o SUS também são fundamentais para garantir a continuidade do tratamento”, explica.

Felipe Almeida de Araújo Lima, da Farmacêutica Now e Nexus Treinamentos, indica estratégias práticas para amenizar o impacto do reajuste que se aproxima. “A antecipação de compras antes do reajuste, a comparação de preços entre farmácias e uma prescrição mais racional ajudam a reduzir custos e melhorar a adesão ao tratamento”, diz.

“Antes de comprar um medicamento de marca, o cidadão deve buscar o genérico equivalente e verificar se ele não está disponível no SUS ou no Programa Farmácia Popular, onde há subsídio que permite economizar e manter o tratamento médico”, conclui Guilherme Vaz de Melo Trindade, coordenador do curso de Farmácia da Newton Paiva.

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