Mineração projeta investimentos de US$ 19,7 bilhões em Minas Gerais
Minas Gerais deve receber US$ 19,7 bilhões em investimentos do setor mineral no intervalo entre este ano e 2030. A estimativa foi divulgada na terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
O diretor de Assuntos Minerários da entidade, Julio Nery, afirma que os projetos do segmento de minério de ferro são predominantes entre os aportes estimados para o Estado, embora o ouro também esteja entre as áreas mais ativas. De acordo com ele, a maioria das inversões está associada à descaracterização de barragens e à implantação de pilhas de rejeitos desaguados, principalmente relacionadas à filtragem.
O valor estimado para ser investido em Minas Gerais equivale a 25,6% do total para o Brasil, o maior percentual entre as unidades da Federação. O Pará ocupa a segunda posição da lista de destinos e a Bahia fica na terceira, com projeções de receberem, respectivamente, 19,1% dos recursos (US$ 14,7 bilhões) e 15,2% (US$ 11,7 bilhões).
No País, os investimentos devem somar US$ 76,9 bilhões. Os maiores recursos estão previstos para serem alocados em projetos de minério de ferro (25,8% do montante) e socioambientais (19,1%). Em outro recorte, 27,7% das inversões se referem aos minérios críticos (grafita, vanádio, nióbio, cobre, níquel, terras-raras, bauxita, lítio, titânio e zinco).
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Expansão dos aportes em relação ao ciclo 2025-2029
A previsão de investimentos da mineração aumentou em relação ao ciclo de 2025-2029. A estimativa anterior era de US$ 68,3 bilhões para o País e US$ 16,5 bilhões para o Estado.
O presidente interino do Ibram, Fernando Azevedo, explica que a expansão das perspectivas de inversões está relacionada aos projetos em minerais críticos, cujo montante a ser aportado cresceu 15,2% na projeção atualizada, para US$ 21,3 bilhões. Ele diz que o incremento também tem relação com o avanço das iniciativas socioambientais, que devem receber US$ 14,7 bilhões, valor 29,7% superior ao previsto anteriormente.
Especificamente sobre os investimentos socioambientais, Nery explica que os aportes cresceram, principalmente em função dos trabalhos de descaracterização das barragens e de reaproveitamento dos minérios para a exposição dos rejeitos. Nesse contexto, o diretor de Assuntos Minerários volta a citar a implantação das pilhas de rejeitos desaguados.
“Há uma grande mudança tecnológica no setor, que estamos observando com bons olhos, é uma medida de segurança, que é a exposição dos rejeitos em pilhas de material desaguado. Essas pilhas têm um grau de impacto muito menor do que as barragens”, diz.
“Mas temos sempre que reforçar que as barragens podem ser seguras quando bem projetadas, bem construídas e bem mantidas, que é o caso que está acontecendo hoje. Estamos há seis anos sem eventos significativos”, pondera.
Barragens estão projetadas para os extremos climáticos, diz Nery
Ainda sobre barragens de rejeitos no Brasil, Nery salienta que elas já estão projetadas para suportar os eventos climáticos extremos. Conforme ele, a legislação brasileira está entre as mais avançadas do mundo em termos de monitoramento e de práticas de segurança para projetos, construção e monitoramento dessas estruturas.
“Temos certeza que a Agência [Nacional de Mineração] está trabalhando bem o assunto e esperamos que continue assim, porque nós não podemos ter outros eventos desse tipo [de rompimentos de barragens, como ocorreram em Mariana e Brumadinho]”, afirma.
As falas do diretor foram no contexto dos extravasamentos que aconteceram em minas da Vale em Congonhas e Ouro Preto no mês passado. Nery pontuou que os incidentes ocorreram em estruturas menores, que as barragens de rejeitos estão estáveis e que, embora não devam acontecer, a empresa está tratando a situação da melhor forma.
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