Economia

St George Mining e Nanum firmam parceria para produção de cério em escala nanométrica

A expectativa é extrair a primeira tonelada do material da planta piloto ainda neste ano, com plena operação prevista para 2029
St George Mining e Nanum firmam parceria para produção de cério em escala nanométrica
Em parceria estratégica com a St George Mining, a Nanum Nanotecnologia planeja produzir o cério em escala nanométrica na planta industrial de Lagoa Santa | Foto: Divulgação St. George

A parceria estratégica entre a australiana St George Mining e a brasileira Nanum Nanotecnologia pode fortalecer o desenvolvimento tecnológico da cadeia de terras-raras no Brasil. As empresas assinaram um memorando de entendimento (MOU) focando na transformação do cério, proveniente do Projeto Araxá, em produtos de alto valor agregado.

A expectativa é extrair a primeira tonelada do material da planta-piloto ainda neste ano, com plena operação prevista para 2029. As informações foram detalhadas pelo diretor da St George no Brasil, Thiago Amaral, e o CEO da Nanum, José Fernando Contadini, ao Diário do Comércio.

A partir do acordo firmado, as empresas irão colaborar na caracterização química dos materiais e no aprimoramento das tecnologias de extração. A iniciativa tem como objetivo viabilizar, no futuro, a assinatura de um contrato de longo prazo, no qual a mineradora fornece a matéria-prima para que a Nanum produza compostos de cério em escala nanométrica.

O elemento de alta pureza pode ser utilizado em soluções tecnológicas avançadas, como aditivos para combustíveis e revestimentos industriais. No setor de transportes, o cério processado pela Nanum atuará como aditivo para o diesel, proporcionando uma economia média de 10% no consumo, além de menor emissão de carbono.

“Estamos consumindo cada vez mais sal de cério, que hoje é importado. Por isso, faz todo sentido buscar uma parceria no Brasil. A ideia é avançar na nacionalização dessa matéria-prima estratégica”, destaca Contadini.

A partir da parceria, o executivo da St George demonstra otimismo já com os primeiros materiais que serão utilizados neste ano. “Esperamos conseguir transformar produtos de baixo valor agregado, muitas vezes rejeitos, em novos materiais, em parceria com a Nanum”, acrescenta Amaral.

Iniciativa reduz a dependência de importações do insumo

Atualmente, o cério importado pela Nanum é proveniente de países que se destacam na mineração de terras-raras, como China e Índia, além de distribuidores na Inglaterra. Por ser um produto versátil, a expectativa é levantar outras possibilidades de aplicação futura, especialmente em escala nanométrica.

Nesse contexto, o CEO da Nanum afirma que a empresa é uma das poucas do mundo com produção em escala nanométrica, cujos produtos por muitos anos foram dedicados à exportação. Com a ampliação de oportunidades no Brasil, especialmente em tecnologia, a estratégia de mercado da empresa, com planta industrial em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), deve ganhar um novo contorno.

“Faz cada vez mais sentido utilizar matéria-prima no mercado nacional. Quando olhamos para esse mercado, é importante também, do ponto de vista estratégico e político, trabalhar com insumos brasileiros”, explica Contadini.

Para a St George, a parceria amplifica as alternativas para o uso de terras raras, especialmente com a possibilidade concreta de transformar produtos individualizados em diferentes soluções. Quanto aos aportes, o executivo afirma ser necessário investimentos adicionais em algumas etapas do processo, como na separação dos óxidos, mas ainda não há análise financeira elaborada.

“Cada empresa atua na prórpia etapa, mas nada impede que, no futuro, haja uma ponte maior entre as duas. Neste momento, cada uma arca com seus próprios custos”, reforça Amaral.

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