Economia

Modelo de desestatização da Copasa agrada o mercado

Proposta apresentada pelo governo de Minas é semelhante à efetivada na desestatização da Sabesp em 2024
Modelo de desestatização da Copasa agrada o mercado
A saída do governo do controle da Copasa diminui as incertezas | Foto: Divulgação Copasa

A proposta do governo estadual para a desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), por meio da oferta secundária de ações, com possibilidade de venda de uma fatia relevante dos papéis para um investidor estratégico, agradou o mercado.

De acordo com analistas, a modelagem da futura operação, detalhada em ofícios enviados pelo Estado à empresa nesta semana, se assemelha ao que foi feito na privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2024. Trata-se, conforme eles, de um modelo testado e, de certo modo, já comprovado.

O head de Utilities da XP, Raul Cavendish, destaca que o mercado gosta dessa proposta que possibilita a participação de um investidor estratégico no processo de captura de melhoria operacional e de crescimento, dada a tese de universalização. Ele avalia como benéfico também para o governo trazer um parceiro de referência, com expertise operacional e capacidade de gestão de risco, num momento de metas importantes a se alcançar.

“Acho que as regras estão bem dentro daquelas que fazem sentido para uma estrutura desse tipo e provavelmente vão trazer um investidor estratégico que deve estar bem alinhado ao interesse de universalizar e fazer uma transformação operacional na Copasa que gere valor tanto para os acionistas quanto para a sociedade”, afirma.

Também sobre a hipótese de o governo vender parte significativa das ações para um investidor estratégico, o especialista da Valor Investimentos, Gabriel Cecco, salienta que, se o grupo comprador for experiente em infraestrutura, poderá acelerar projetos que levam a uma maior eficiência operacional, o que destrava ainda mais valor.

Outro ponto que ele chama atenção é para o fato de os analistas estarem observando não apenas o setor de saneamento em si, mas principalmente à redução do chamado desconto estatal. Isso porque as empresas sob controle público geralmente negociam com múltiplos menores por conta do forte risco político que existe no Brasil.

“Decisões não econômicas e menor previsibilidade sempre impactam. Quando surge essa perspectiva de privatização, o mercado começa a precificar ganho de eficiência”, explica.

Amarras, metas ambiciosas e falta de clareza

Para o economista da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, o desenho da desestatização da Copasa é pró-mercado e tende a reduzir o risco político, o que é positivo para a precificação. Por outro lado, há amarras de longo prazo, metas ambiciosas e ainda falta clareza em relação ao plano de execução e no que diz respeito aos termos econômicos da oferta, pontos que serão acompanhados de perto nos próximos dias pelo mercado.

Ele cita, por exemplo, que não está claro sobre quem será o investidor de referência, como ficará a estrutura de poder decisório e quem realmente conduzirá os investimentos. A saída do governo reduz incertezas, mas abre outras discussões importantes, como o preço da oferta; a regulação e a tarifa; e o financiamento dos aportes para a universalização.

“Quando comparamos com outros casos, como a Sabesp, vemos uma narrativa mais clara de transformação, com investidores de referência, metas bem definidas e foco em execução”, afirma. “Já o caso da Enel mostra que ser privado, por si só, não garante qualidade de serviço, já que tudo depende de contrato, regulação e fiscalização”, pondera.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas