Mosaic vai paralisar plantas em Patrocínio e Araxá e põe ativos à venda
A Mosaic Company anunciou, nesta quarta-feira (8), que desmobilizará o Complexo Mineroquímico de Araxá, além de suspender as atividades de mineração no Complexo de Patrocínio, ambos no Alto Paranaíba. Também comunicou que pretende vender os ativos de Araxá e continuar desenvolvendo o projeto de nióbio em Patrocínio, cujos trabalhos de avaliação técnica, incluindo amostragem e análise, estão prestes a serem concluídos.
As medidas, segundo o grupo americano, são parte dos esforços para reduzir custos e realocar capital. “Acreditamos que paralisar as instalações e buscar uma possível venda é o caminho certo a seguir”, disse o presidente e diretor-executivo da empresa, Bruce Bodine.
De acordo com a companhia, a interrupção das operações deve reduzir a produção anual de fosfato da Mosaic Fertilizantes em cerca de um milhão de toneladas. A expectativa é que o impacto no Ebitda ajustado seja pequeno, em razão dos preços elevados do enxofre, excluindo os custos pontuais de desmobilização.
Em relação ao reflexo de uma possível transferência dos ativos, o grupo espera que os gastos de capital anuais e as despesas operacionais diminuam em aproximadamente US$ 20 a US$ 30 milhões e US$ 70 a US$ 80 milhões, respectivamente.
A estimativa da Mosaic para o primeiro trimestre é registrar um impacto contábil bruto de US$ 350 a US$ 400 milhões. Desses valores, US$ 275 a US$ 300 milhões referem-se à perda por desvalorização de ativos destinados à venda e a outras baixas contábeis. O restante está relacionado a verbas rescisórias, despesas contratuais e outros custos de desmobilização. Os valores estão sujeitos a revisões contábeis finais.
Medidas são anunciadas após rumores de venda e recentes interrupções de atividades
O anúncio do fechamento do Complexo Mineroquímico de Araxá, da intenção de venda dos ativos no município e da paralisação das atividades de mineração no Complexo de Patrocínio ocorre após várias especulações do mercado sobre um desejo da Mosaic de negociar as plantas na região e uma sequência de interrupções dos trabalhos.
Sob a estratégia de revisar ativos não essenciais e realocar recursos em áreas consideradas prioritárias, o grupo vendeu, em 2025, a mina de fosfato em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, e as operações de potássio em Sergipe. Os desinvestimentos alimentaram rumores de que o portfólio no Brasil seria reduzido ainda mais.
Também no ano passado, a empresa suspendeu as atividades de mineração de fosfato em Patrocínio em novembro, por dois meses; e, em dezembro, a produção de superfosfato simples (SSP) na planta de Araxá e nas unidades da Fospar, no Paraná, por 30 dias. Neste último caso, a suspensão inicial foi posteriormente prorrogada por mais um mês.
À época, a Mosaic alegou que a decisão da parada temporária em Patrocínio estava relacionada à melhoria de estoques e entregas de compromissos assumidos, sem impacto ao mercado e à produção local. Já as paralisações em Araxá e no Paraná foram motivadas pela disparada nos preços internacionais do enxofre.
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