Economia

Mosaic prorroga paralisação da produção de fosfato em Araxá

Multinacional vai prolongar reduções de produção por mais 30 dias e reforça que não pretende comprar enxofre no Brasil no curto prazo
Mosaic prorroga paralisação da produção de fosfato em Araxá
As operações da unidade da Mosaic em Araxá, que já estavam suspensas há 30 dias, permanecerão paralisadas por mais um mês | Foto: Divulgação Mosaic Fertilizantes

A multinacional norte-americana Mosaic, especializada no ramo de fertilizantes, anunciou, na quarta-feira (21), a prorrogação da paralisação da produção de fosfato em Araxá, no Alto Paranaíba. O motivo, embora esteja oficialmente atrelado aos altos custos do enxofre, reacende discussões sobre uma possível negociação para a venda de plantas na região.

As operações já estavam paralisadas há 30 dias, e com isso, a empresa decidiu prolongar essas reduções de produção por mais 30 dias. Além da operação em Araxá, a unidade Fospar, em Paranaguá (PR), também suspendeu a produção de superfosfato simples (SSP).

Em nota enviada ao Diário do Comércio, a Mosaic confirmou o prolongamento das reduções de produção e disse que continuará a avaliar as condições do mercado nas próximas semanas para revisão dos planos de produção. “Devido à extensão, a Mosaic não pretende comprar enxofre no Brasil no curto prazo”, acrescenta a multinacional.

Com a prorrogação, o alerta se volta também para o campo social, diante do impacto na manutenção dos postos de trabalho em Araxá e do efeito cascata na cadeia produtiva regional. No último mês, a Mosaic informou que segue monitorando a evolução do mercado e os preços das matérias-primas, ajustando os planos de produção conforme a demanda. Para os colaboradores afetados, a companhia confirmou a concessão de férias e a realização de manutenções pontuais nas plantas durante o período.

Além da operação em Araxá, em novembro do ano passado, a Mosaic paralisou atividades no complexo de mineração em Salitre de Minas, distrito de Patrocínio, no Alto Paranaíba. Na época, a multinacional se pronunciou alegando que os motivos estariam atrelados ao estoque de minério na planta de Araxá, que segundo fontes locais, opera em máxima capacidade. Já o sindicato Metabase, que acompanha os impactos da pausa, pontuou que a interrupção na operação seria em razão de uma suposta estratégia de redução de custos.

Sequência de interrupções alimenta teses de venda

Fontes do mercado, entretanto, especulam que a interrupção possa estar relacionada ao desejo de negociar a venda de plantas para outras corporações. O cenário remete ao ocorrido em janeiro de 2025, quando a multinacional se desfez da unidade de mineração em Patos de Minas, também no Alto Paranaíba, que enfrentava um período de inatividade antes da conclusão do negócio.

Embora tenha assegurado o caráter temporário da medida em novembro de 2025, a multinacional adotou uma postura mais reservada nesta nova etapa. Procurada também para falar sobre os persistentes rumores de venda no Estado, a Mosaic optou por não comentar o assunto.

Destaque no setor de fertilizantes, a Mosaic tem em Minas Gerais uma das bases de força da atuação no País. A companhia opera de forma integrada da mina ao centro de distribuição, tendo o território mineiro como seu principal hub de fosfato.

Com operações de peso em Araxá, Tapira, Patrocínio e Uberaba, a multinacional impacta significativamente a economia do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, onde a produção de insumos minerais gera emprego e renda para dezenas de famílias.

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