Economia

Vendas de implementos rodoviários crescem 12,5% em fevereiro e indicam recuperação do setor

Setor espera que crescimento prossiga e pede que taxas de juros tenham queda nos próximos meses; Minas Gerais está no radar dos fabricantes
Vendas de implementos rodoviários crescem 12,5% em fevereiro e indicam recuperação do setor
Foto: Reprodução Adobe Stock

A indústria de implementos rodoviários apresentou sinais de recuperação em fevereiro, após queda nas vendas em janeiro. No segundo mês do ano, foram emplacadas 9.870 unidades, ante 8.760 equipamentos em janeiro de 2026, com crescimento de 12,5%. “Essa reação do mercado pode ter influência do agronegócio, com a safra em andamento, e do programa Move Brasil que, mesmo não sendo direcionado ao nosso setor, trouxe reflexos positivos”, explica o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), José Carlos Spricigo.

A reação ocorre após a implantação do programa Move Brasil, lançado em janeiro para incentivar a renovação da frota de caminhões. A iniciativa já conta com R$ 4,2 bilhões em créditos contratados do total de R$ 10 bilhões disponibilizados. O volume de emplacamentos de caminhões em fevereiro, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foi 3,7% superior ao de janeiro. “Está clara a influência do Move Brasil no desempenho dos fabricantes de caminhões; agora resta saber se o mercado de implementos rodoviários seguirá sendo impactado”, diz o executivo.

Juros, o grande “vilão”

Spricigo indica que o cenário pode continuar positivo em março, mas há receio quanto à política de juros praticada pelo Banco Central, que mantém a taxa Selic em 15%. O setor deseja um corte para estimular o crescimento.

“Ainda há como impulsionar mais o setor. Notamos que março já está mais forte no mercado, apesar das dificuldades em relação aos juros para o implemento rodoviário. O nosso setor é alavancado pelo PIB – e o PIB para 2026 projeta-se menor do que o de 2025. O segmento também depende de taxas de juros competitivas. Mirávamos uma Selic de 12% em dezembro, mas já ouvimos de economistas que os juros podem não reduzir da forma que havia sido projetado. Se tivermos a inflação controlada em torno de 4%, ainda assim teríamos um juro real de 8%, que é muito elevado para o setor produtivo”, explica.

Minas em destaque

Minas Gerais é o terceiro maior mercado consumidor de implementos rodoviários do País – considerando os segmentos pesados e leves -, com 7% das compras nacionais. No segmento de pesados, ocupa a quinta posição, com destaque para cinco produtos mais vendidos no Estado: carrega-tudo, tanque para produto perigoso, graneleiro, silo e baú frigorífico.

Entre os leves, Minas figura na segunda colocação nacional, com cinco produtos em evidência: baú de carga geral, carga seca, basculante meia-cana, carga seca/guindaste e tanque/bomba d’água.
Essa relevância atrai a atenção dos fabricantes de implementos rodoviários, que enxergam no Estado um mercado com expressivo potencial de expansão.

“Minas vem obtendo uma terceira colocação no setor de implementos rodoviários. Estamos esperançosos de que possamos ter um grande ano e de que o mercado mineiro possa contribuir, principalmente com os produtos mais vendidos no Estado – as caçambas e caçambas meia-cana, voltadas ao minério que o estado produz”, comenta o presidente da Anfir, José Carlos Spricigo.

Comportamento por segmento

O segmento pesado registrou crescimento de 15,5% em fevereiro. No mês, foram emplacadas 5.007 unidades, contra 4.335 equipamentos em janeiro.
O segmento leve apresentou curva ascendente de 9,9%. Em fevereiro, foram comercializadas 4.863 unidades, ante 4.425 em janeiro.

Balanço bimestral

No comparativo do acumulado do ano em relação ao mesmo período de 2025, o desempenho dos fabricantes de implementos rodoviários apresentou recuo de 21,6%. No período, foram entregues ao mercado 18.630 implementos rodoviários, ante 23.762 unidades no primeiro bimestre de 2025. O segmento de reboques e semirreboques registrou recuo de 24,66% no primeiro bimestre do ano.

Em dois meses, foram emplacados 9.342 implementos rodoviários, ante 12.400 unidades no mesmo período de 2025. Apenas as linhas de tanque inox e produtos especiais registraram variação positiva.
O segmento de carroceria sobre chassi recuou 18,25%. Nos dois primeiros meses do ano, a indústria comercializou 9.288 unidades, contra 11.362 equipamentos no primeiro bimestre de 2025. Todas as sete linhas de produtos do segmento apresentaram resultado negativo.

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