Economia

Minas Gerais tem cerca de 790 mil mulheres trabalhando no comércio

Estudo da Fecomércio-MG aponta que muitas empreendedoras ainda enfrentam desafios como acesso a crédito e formação de parcerias
Atualizado em 6 de março de 2026 • 16:41
Minas Gerais tem cerca de 790 mil mulheres trabalhando no comércio
Foto: Reprodução/Adobe Stock

Minas Gerais reúne um contingente de aproximadamente 790 mil mulheres trabalhando no setor de comércio, o equivalente a 10% do total registrado no Brasil (7,9 milhões). É o que mostram dados de um estudo conduzido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG).

A economista da entidade Gabriela Martins avalia que o Estado ainda oferece margem para o crescimento deste número futuramente. Ela destaca que o setor de comércio e serviços segue sendo um dos principais geradores de empregos em Minas, com mais da metade das novas contratações formais em alguns períodos recentes.

“Além disso, algumas mudanças como a maior escolaridade feminina, ampliação do empreendedorismo e uma maior presença das mulheres como responsáveis pelo sustento familiar tendem a ampliar a participação feminina nas atividades econômicas”, acrescenta.

Para a especialista, iniciativas de qualificação, inclusão produtiva e incentivos ao empreendedorismo podem contribuir para a ampliação do espaço destinado às mulheres no comércio mineiro.

empreendedora empreendedorismo feminino.
Foto: Reprodução Adobe Stock

O levantamento busca compreender os desafios, as necessidades e as motivações dessas mulheres, apontando um cenário em que o empreendedorismo feminino se configura como fonte essencial de sustento. A maioria (93,79%) das entrevistadas tem no próprio negócio sua principal fonte de renda, e 59,7% são as principais provedoras financeiras de suas famílias.

O acesso a recursos financeiros foi apontado por 35,1% das respondentes como o principal desafio enfrentado no início da jornada empreendedora. Além desse fator, elas também mencionaram a dificuldade em formar parcerias (19,5%) e a sobrecarga com responsabilidades familiares (11,5%).

Gabriela Martins explica que o acesso a crédito e capital inicial é um desafio comum para a maioria dos empreendedores, principalmente, entre as micro e pequenas empresas (MPEs). Porém, ela ressalta que este obstáculo tende a ser mais recorrente na vida das mulheres que empreendem.

“Um dos motivos que podem levar a isso são fatores estruturais como, por exemplo, o menor histórico de crédito, menor acesso à rede de investidores e a chamada dupla jornada de trabalho”, pontua.

No caso da dupla jornada de trabalho, ela destaca que esse fator, em muitas das vezes, acarreta em uma menor disponibilidade de tempo para as mulheres realizarem os seus próprios negócios.

Barreiras estruturais para o empreendedorismo feminino

Os resultados indicam barreiras estruturais que impactam o desempenho e a escalabilidade dos negócios femininos no Estado. No cenário atual, com os empreendimentos já em funcionamento, as principais dificuldades relatadas pelas empresárias mineiras do setor incluem a contratação de funcionários (27,8%), a concorrência crescente (22,2%) e os desafios de gestão de equipes (9,1%).

A economista da Fecomércio-MG cita três frentes que podem contribuir para a superação dessas barreiras: qualificação, planejamento e networking. Segundo ela, investir em capacitação, gestão financeira, marketing digital e estratégias de negócios aumenta a capacidade de tomada de decisão e de crescimento sustentável. “Também é importante estruturar o negócio com planejamento financeiro e formalização, o que facilita o acesso a crédito e parcerias”, completa.

Mulher empreendedora empreendedorismo feminino.
Foto: Reprodução Adobe Stock

Outra ação importante, na visão de Gabriela Martins, é a participação em programas de apoio voltados para o empreendedorismo feminino como iniciativas de capacitação e aceleração. Esse tipo de iniciativa fortalece a troca de experiências e amplia as oportunidades de mercado.

“As redes de apoio têm um papel estratégico no fortalecimento do empreendedorismo feminino. Além de oferecer capacitação e troca de experiências, esses ambientes ajudam a ampliar o acesso a informações, oportunidades de negócio e contatos profissionais”, afirma.

Quanto ao acesso a redes de apoio, grupos ou mentorias voltados para mulheres empreendedoras, 91% das participantes da pesquisa informaram não possuir esse tipo de ajuda. De acordo com a Fecomércio-MG, esses dados evidenciam que o empreendedorismo feminino vem avançando em representatividade e importância econômica, mas ainda enfrenta algumas dificuldades.

A entidade defende que a superação dessas barreiras exige a implementação de políticas públicas, apoio institucional e soluções voltadas à qualificação, ao crédito e ao fortalecimento da rede de suporte para mulheres empreendedoras em Minas.

Para Gabriela Martins, as redes de apoio também contribuem para reduzir o isolamento enfrentado por muitas empreendedoras e para fortalecer a confiança na tomada de decisões. Ela destaca o exemplo do Programa Fé Nelas, da Fecomércio-MG, que demonstra o potencial da criação de comunidades de aprendizagem e mentoria para ajudar na aceleração do desenvolvimento dos negócios liderados por mulheres e ampliação de sua presença no comércio e serviços.

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