Disparidade salarial: em Minas Gerais, mulheres ganham, em média, 26% menos do que homens
Um dia após o Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo (8), os dados mais recentes do mercado de trabalho reforçam a persistência das desigualdades salariais entre homens e mulheres em Minas Gerais. Um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, mostra que as trabalhadoras mineiras recebem, em média, 26% a menos que os homens.
No Estado, o rendimento médio mensal das mulheres é de R$ 2.715, enquanto o dos homens chega a R$ 3.654. A diferença é ainda maior entre trabalhadores com maior qualificação: entre pessoas com ensino superior, as mulheres recebem, em média, R$ 4.778 por mês, ante R$ 7.763 dos homens, uma discrepância de 38%.
Os dados também mostram que Minas concentra o maior percentual de mulheres com renda de até um salário mínimo na região Sudeste. No Estado, 41% das trabalhadoras estão nessa faixa de rendimento. Em comparação, o percentual é de 37% no Rio de Janeiro, 36% no Espírito Santo e 23% em São Paulo.
Participação no mercado de trabalho
No quarto trimestre de 2025, Minas Gerais tinha 4,7 milhões de mulheres ocupadas. Outras 227 mil estavam desocupadas e cerca de 3,6 milhões permaneciam fora da força de trabalho. A taxa de desocupação feminina no Estado era de 4,6%, acima da registrada entre os homens, de 3,2%.
Em nível nacional, a Pnad Contínua indica que o Brasil tinha 90,5 milhões de mulheres com 14 anos ou mais no fim de 2025. Desse total, 47,8 milhões estavam na força de trabalho e 44,9 milhões estavam ocupadas.
Mesmo entre as que trabalham, a desigualdade salarial permanece. No País, o rendimento médio feminino foi de R$ 3.042 em 2025, enquanto o dos homens chegou a R$ 3.864, uma diferença de 21%. No acumulado anual, isso representa quase R$ 10 mil a menos na renda das mulheres.
A distância cresce nos cargos mais qualificados. Entre profissionais com ensino superior, as mulheres receberam em média R$ 5.409 por mês, contra R$ 8.357 entre os homens, diferença de 35%. Em cargos de direção e gerência, a remuneração média feminina foi de R$ 7.546, enquanto a masculina chegou a R$ 10.492.
Desigualdade persiste apesar de maior escolaridade
Os dados mais recentes reforçam um padrão já observado pelo Censo Demográfico de 2022. Em Minas Gerais, as mulheres apresentam, em média, maior nível de escolaridade do que os homens, mas essa vantagem não se traduz em igualdade no mercado de trabalho.
Entre pessoas com 25 anos ou mais no Estado, as mulheres são maioria nos níveis mais elevados de formação: representam 60,4% daqueles com ensino superior completo. Mesmo assim, o rendimento médio feminino permanece inferior em praticamente todas as ocupações. Em 2022, as trabalhadoras mineiras recebiam, em média, R$ 2.206 por mês, o equivalente a 76,6% do rendimento dos homens, que era de R$ 2.880.
As diferenças eram ainda maiores nos cargos de maior qualificação. Entre diretores e gerentes, o rendimento médio das mulheres correspondia a 61,8% do obtido pelos homens. Já entre profissionais das ciências e intelectuais, essa proporção era de 59,7%.
Menor nível de ocupação
Além da desigualdade salarial, as mulheres também apresentam menor inserção no mercado de trabalho. Segundo o Censo 2022, o nível de ocupação em Minas Gerais era de 65,2% entre os homens e de 47,5% entre as mulheres, diferença de 17,8 pontos percentuais.
A disparidade aparece em todos os grupos raciais analisados, com maior distância entre pessoas pardas: o nível de ocupação era de 64,8% entre os homens e de 46,6% entre as mulheres.
Estrutura familiar e desigualdade econômica
Os dados demográficos também ajudam a explicar parte das desigualdades. Em Minas Gerais, cerca de um terço dos domicílios chefiados por mulheres é formado por responsáveis sem cônjuge e com filhos, proporção muito superior à observada entre homens responsáveis por domicílios.
A maior presença feminina na chefia de famílias monoparentais amplia os desafios de inserção no mercado de trabalho e contribui para a persistência das diferenças de renda
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