Economia

Mulheres na liderança pública ampliam diálogo, fortalecem decisões e humanizam a gestão

Mulheres promovem uma abordagem marcada por escuta ativa, responsabilidade social e visão coletiva
Mulheres na liderança pública ampliam diálogo, fortalecem decisões e humanizam a gestão
Lideranças femininas reforçam a importância do diálogo | Foto: Divulgação Agência Novo Oeste

O avanço das mulheres em cargos de liderança pública tem provocado uma mudança silenciosa, e consistente, na forma de governar e administrar. Prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras, secretárias municipais, diretoras de universidades, presidentes de entidades empresariais e lideranças do terceiro setor têm ampliado sua presença em espaços decisórios e, junto com ela, levado uma abordagem marcada por escuta ativa, responsabilidade social e visão coletiva.

Embora ainda representem minoria em muitos cargos eletivos e estratégicos, os números demonstram crescimento gradual da participação feminina. Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam aumento no número de mulheres eleitas nos últimos pleitos, refletindo uma transformação cultural em curso. Já levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a presença feminina em posições de comando também cresce na administração pública e em instituições de ensino superior.
Mais do que ocupar cadeiras, essas lideranças têm influenciado o modelo de gestão. Especialistas em governança pública observam que mulheres tendem a adotar estilos mais colaborativos, priorizando o diálogo, a construção de consensos e a análise do impacto social das decisões. Essa postura não significa suavidade na condução, mas firmeza aliada à responsabilidade.

Pela primeira vez, em 113 anos de história, Divinópolis, cidade-polo do Centro-Oeste mineiro, com mais de 250 mil habitantes, terá uma prefeita. Janete Aparecida assumirá nos próximos dias a cadeira de Gleidson Azevedo, que disputará eleições. Para Janete Aparecida, reconhecida como uma vice-prefeita extremamente atuante, o exercício da liderança feminina na gestão pública está diretamente ligado à capacidade de compreender as múltiplas realidades que compõem uma cidade.

“Governar é tomar decisões que impactam pessoas reais. É preciso equilíbrio entre responsabilidade fiscal e sensibilidade social. Minha prioridade será cuidar de todas as áreas, com atenção especial à tecnologia na segurança, à educação, à assistência social, à saúde e ao desenvolvimento econômico, sempre com respeito ao dinheiro público e ao cidadão”, afirma.

O mesmo movimento é percebido na condução de universidades e entidades empresariais. No campo do desenvolvimento regional, a Agência Novo Oeste tem se consolidado como espaço estratégico de articulação entre poder público, setor produtivo e sociedade civil, contando com a participação ativa de lideranças femininas na formulação de agendas voltadas à inovação, sustentabilidade e qualificação do capital humano. A Agência Novo Oeste tem em seu quadro de integrantes da diretoria, do conselho fiscal e do consultivo uma enorme parcela de mulheres. A presença dessas mulheres nas instâncias de decisão reforça a construção de políticas mais integradas e alinhadas às demandas reais da região.

Na cidade de São Sebastião do Oeste, Sara Costa está à frente da “Diretoria de Gente e Gestão” da Costa Foods Brasil (conhecida comercialmente como Avivar), e destaca que a empatia, frequentemente associada ao perfil feminino, é uma competência estratégica. “Escutar antes de decidir reduz conflitos, melhora a comunicação institucional e gera resultados mais assertivos”, avalia.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), países e instituições com maior diversidade de gênero em cargos estratégicos apresentam melhores indicadores de governança e estabilidade. O dado reforça que a participação feminina não é apenas uma pauta de representatividade, mas de eficiência administrativa.

Elis Regina Guimarães é diretora executiva, CEO do Complexo de Saúde São João de Deus, hospital referência em Minas Gerais e reconhecido como 65º melhor hospital do País e sétimo do Estado. À frente de uma instituição com mais de dois mil colaboradores e prestadores de serviços, ela conduz uma gestão marcada por resultados e visão estratégica. Para Elis Regina, a liderança feminina tem avançado de forma consistente, embora ainda enfrente desafios estruturais. “Em muitos momentos, sentimos a necessidade de demonstrar nossa competência com ainda mais intensidade. Mas cada espaço conquistado representa não apenas uma vitória individual, e sim a abertura de caminhos para que outras mulheres também ocupem posições de decisão”, afirma.

Ela observa que, especialmente em ambientes de debate e deliberação, a presença feminina vem se consolidando de maneira progressiva. “É um processo de evolução cultural. Persistir, ocupar esses ambientes com preparo e manter a voz ativa são atitudes que fortalecem a construção de lideranças mais diversas, sensíveis e estratégicas. Quando ampliamos a participação feminina, ampliamos também a qualidade das decisões.”

Em um cenário de crescente exigência por transparência, diálogo e resultados concretos, o avanço feminino na liderança pública revela que empatia e firmeza não são opostos, mas complementares. E, quando integradas à técnica e à responsabilidade institucional, fortalecem a qualidade das decisões que impactam toda a coletividade.

Março, mês simbólico para a valorização das mulheres, convida à reflexão: ampliar a presença feminina na gestão pública e nas lideranças regionais, inclusive em espaços estratégicos, não é apenas uma questão de equidade, mas de aprimoramento da própria governança.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO, em parceria com o Sindijori-MG, mantém um espaço de interação com os municípios mineiros através de seus veículos associados. A coluna Integra Minas é publicada às sextas-feiras e tem o objetivo de aproximar questões que impactam o ambiente econômico e empresarial do Estado em uma via de mão dupla, trazendo e levando informações criando uma rede que “Integra Minas”.

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