Prefeituras de Minas tentam ressarcir prejuízo após ataque de hackers
A diretoria da Caixa Econômica Federal abriu negociação extrajudicial com os prefeitos dos municípios mineiros que tiveram suas contas bancárias mantidas na instituição atingidas por hackers em julho deste ano. Somado, o prejuízo para as cinco cidades é de R$ 5,86 milhões.
O pedido foi feito na semana passada em uma reunião entre o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, que acompanhou o grupo de prefeitos prejudicados, e a diretoria da Caixa Econômica Federal, em Brasília. O intuito foi garantir um acordo para ressarcimento.
Os alvos dos hackers foram cinco municípios mineiros com população entre 3 mil e 21 mil habitantes, portanto, de pequeno porte, que possuem repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e transferências da União como principais recursos de sobrevivência.
É o caso da cidade de Ribeirão Vermelho, no Sul de Minas, que tem 4 mil habitantes. O prefeito do município, Welder Marcelo Pereira (PSDB), conta que chegou a suspender a licitação da obra de um centro esportivo em função dos débitos da prefeitura.
Segundo o prefeito, como o dinheiro subtraído era de recursos próprios, o débito atingiu todas as áreas como saúde, educação e infraestrutura. “Íamos abrir uma licitação agora para um centro esportivo, com espaço para recreação para crianças na cidade, mas tivemos que suspender. Também cortamos 10% na verba dos exames de saúde”, afirmou.
Na avaliação do o presidente da AMM, a subtração desses valores, em orçamentos tão dependentes e já sobrecarregados, compromete diretamente o atendimento à população, afetando a compra de medicamentos, a manutenção de equipamentos, o pagamento de profissionais e a continuidade de programas assistenciais. “A situação é ainda mais crítica, pois atinge a vida, um direito fundamental e cláusula pétrea da Constituição Federal”, ressaltou.
Procurada pela reportagem do Diário do Comércio, a Caixa Econômica Federal informou, por meio de nota, que foram abertos processos de apuração e contestação das transações.
“O processo é realizado por equipe especializada e as informações relativas aos casos são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes para análise e investigação. O resultado da análise também é informado aos titulares da conta”, diz a nota.
A instituição também disse que monitora seus produtos e serviços e atua em conjunto com a Polícia Federal e demais órgãos de segurança pública na identificação e investigação de casos suspeitos, assim como na prevenção de fraudes e golpes.
“A Caixa orienta que seus clientes não forneçam senhas ou outros dados de acesso a terceiros, em sites, aplicativos ou por meio de ligações telefônicas. O banco possui estratégia, políticas, procedimentos de segurança e ferramentas de tecnologia para a proteção dos dados e operações de seus clientes. Orientações de segurança estão disponíveis no portal www.caixa.gov.br/seguranca“, alerta.
Por fim, o banco informa que está em contato com as partes envolvidas sobre o caso em questão para eventual conciliação, e segue colaborando com as investigações.
Veja o volume subtraído pela ação dos hackers em cada município
- Carmópolis de Minas (18 mil habitantes) – perda de R$ 2.092.000
- Serro (21.952 habitantes) – perda de R$ 1.300.000
- Ribeirão Vermelho (4.080 habitantes) – perda de R$ 630.000
- Presidente Juscelino (3.465 habitantes) – perda de R$ 441.000
- Luz (17.875 habitantes) – perda de R$ 1.400.000
Total das perdas – R$ 5.863.000,00
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