Noroeste deve liderar a próxima expansão da energia solar em Minas
Com a consolidação do Norte de Minas Gerais como principal polo de projetos de energia solar previstos até 2032, o setor começa a mirar uma nova frente de crescimento no Estado, com foco no Noroeste. A região, reconhecida pela força na agricultura e na produção de fosfato, reúne características consideradas estratégicas para a expansão do setor fotovoltaico, que segue em destaque no cenário nacional.
Em fevereiro, houve ampliação de 743 megawatts (MW) no Brasil, com 16 novas usinas em operação comercial, sendo 14 centrais solares fotovoltaicas (677 MW), segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dentre os destaques, Minas Gerais ocupa a segunda posição no ranking nacional com 96 MW contabilizados em duas novas usinas de energia solar, atrás apenas do Rio Grande do Norte, com 640 MW, decorrentes de 13 operações.
De acordo com o consultor de mercado de energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pataca, os números, embora menores que os registrados em meses anteriores, reforçam o protagonismo mineiro no cenário nacional. Até 2032, a região Norte do Estado lidera entre as que mais devem receber novos projetos, cenário que deve mudar nos próximos anos.
Segundo o consultor, os próximos grandes projetos de energia solar em Minas Gerais devem expandir para o Noroeste, região que conta com cidades como João Pinheiro, Paracatu e Unaí. “É uma região que reúne algumas das melhores condições do Estado, com disponibilidade de terra, relevo favorável e alta incidência solar, o que beneficia a implantação de projetos de grande porte”, explica.
“Demanda ainda não é suficiente para absorver toda a geração planejada”
Apesar das oportunidades, a perspectiva é que 2026 receba menos projetos que o ano anterior e que os próximos anos sejam marcados pela estagnação no crescimento. Esse cenário pode ser explicado pelo tímido crescimento do consumo, bem como do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais.
“Hoje, a demanda ainda não é suficiente para absorver toda a geração planejada. Por isso, é necessário avançar no desenvolvimento industrial, de forma a recuperar o crescimento do consumo e permitir uma expansão acima do esperado”, avalia o consultor.
Além disso, Pataca chama atenção para limitações da energia solar, cuja produção ainda não ocorre de forma contínua, o que exige soluções complementares para dar suporte ao sistema. Segundo ele, atualmente já é possível atender a cerca de 35% da carga no horário de pico e o setor discute soluções como expansão de hidrelétricas, uso de baterias e termelétricas para reforçar a segurança do fornecimento.
O setor de energia no País iniciou o mês de março com a capacidade instalada de 217.921 MW em usinas centralizadas, de acordo com a Aneel. Do total atualmente em funcionamento no País, 84,73% da potência fiscalizada correspondem a fontes consideradas renováveis.
Ouça a rádio de Minas