Nova política industrial do governo Lula é vista com bons olhos pelo setor

Com metas e ações a serem desenvolvidas até 2033, a NIB busca reverter a precoce desindustrialização brasileira

23 de janeiro de 2024 às 5h13

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Presidente Lula lançou ontem a NIB com aportes de R$ 300 bi | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entidades nacionais, que representam indústrias brasileiras de diversos segmentos, avaliaram a nova política industrial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como positiva para o Brasil. Ainda que façam algumas ressalvas, as instituições entenderam que o plano é o primeiro passo para que o País reverta a precoce desindustrialização, amplie a competitividade e desenvolva áreas estratégicas.

Apresentada nessa segunda-feira (22), a Nova Indústria Brasil (NIB) traça metas e ações até 2033 a partir de seis missões ligadas aos seguintes segmentos: agroindústria; complexo industrial de saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade; transformação digital; bioeconomia; e tecnologia de defesa. O instrumento que norteará o setor nos próximos anos, prevê ainda que o Executivo Federal vai investir R$ 300 bilhões em financiamentos destinados à área até 2026

Para o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Leonardo de Castro, representante da entidade no lançamento do plano, o Brasil está no caminho certo com a retomada da política industrial. Ele ressalta, porém, que o setor precisa de instrumentos modernos e semelhantes aos que nações líderes promovem. E diz que o valor anunciado pelo governo é um bom começo, mas é preciso fazer mais, citando cifras maiores disponibilizadas por outros países. 

Já o presidente do Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Veneroso, vê com bons olhos a ação do Executivo, no entanto, salienta que é preciso aguardar a efetiva execução. Ele avalia como interessantes algumas políticas do planejamento como empréstimos, créditos tributários, encomendas tecnológicas e outras, mas afirma que é necessário ter cuidado com os requisitos de conteúdo local.

Conforme Veneroso, que também é presidente da empresa Neuman & Esser / Hytron, com operação em Belo Horizonte, é preciso isonomia entre a indústria nacional e a estrangeira e não pode haver distorções entre setores, ou seja, o governo não pode simplesmente dar incentivos fiscais apenas para determinadas áreas. “Precisamos de um plano uniforme para o País, sem puxados setoriais e, sim, que seja um plano para a indústria, independente de qual seja”, afirma.

Plano direciona o futuro da indústria brasileira

A presidente-executiva da Associação Nacional de Empresas de Biotecnologia e Ciências da Vida (Anbiotec Brasil), Vanessa Silva da Silva, destaca a menção da economia verde e a transição digital como assuntos estratégicos na nova política industrial. Na avaliação dela, o governo demonstra, com isso, estar direcionando o olhar, de fato, para o preparo da indústria brasileira para o futuro. 

A dirigente ressalta a necessidade do setor industrial brasileiro se posicionar frente ao mercado global. “Precisamos inovar, ter metas mais ousadas e o governo está fazendo a parte dele, de trazer recursos para incentivar. Claro que a responsabilidade é da indústria nesse sentido, mas estão induzindo uma política de estado maior e, tendo recursos direcionados de forma coerente para os setores que são estratégicos, vamos ver que o resultado será mais efetivo, porque não teremos uma pulverização”, diz.

Sugestões da Anbiotec são incluídas na nova política industrial de Lula

Vanessa Silva da Silva também participou da elaboração da nova política industrial de Lula, como integrante do CNDI. Sendo assim, a presidente-executiva da Anbiotec Brasil destaca que a associação contribuiu com propostas relacionadas à saúde e agronegócio, propondo, por exemplo, tecnologias prioritárias para a indústria brasileira, como terapias avançadas e soluções de diagnóstico. 

De acordo com ela, no primeiro eixo, de cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar, nutricional e energética, a Anbiotec Brasil sugeriu o uso de bioinsumos no agronegócio e foi aceito. Já na segunda missão, relativa à saúde, a associação propôs o apoio para as indústrias que atuam em terapia avançada, dispositivos médicos, equipamentos para diagnóstico e kits para diagnóstico in vitro, proposta que também foi acatada e inclusa no planejamento do setor.

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