Governo Lula prevê R$ 300 bi em financiamento para a nova política industrial até 2026

Proposta prevê metas, diretrizes e medidas para os próximos 10 anos; veja detalhes

22 de janeiro de 2024 às 12h57

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Crédito: Adobe Stock

Brasília- O governo Lula anunciou nesta segunda-feira (22) que a nova política industrial vai contar com financiamentos de R$ 300 bilhões até o fim de 2026.

A nova política industrial do governo será apresentada na manhã desta segunda-feira (22), durante reunião no Palácio do Planalto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), em evento no Palácio do Planalto.

A proposta prevê metas, diretrizes e medidas para os próximos 10 anos.

Segundo o governo, o plano prevê R$ 300 bilhões para financiamentos destinados à nova política industrial até 2026. Além dos R$ 106 bilhões anunciados na primeira reunião do CNDI, em julho, outros R$ 194 bilhões foram incorporados, provenientes de diferentes fontes de recursos para dar suporte ao financiamento das prioridades da Nova Indústria Brasil – como foi batizada a política.

“Para reverter a desindustrialização precoce do país, a nova política prevê a articulação de diversos instrumentos de Estado, como linhas de crédito especiais, recursos não-reembolsáveis, ações regulatórias e de propriedade intelectual, além de uma política de obras e compras públicas, com incentivos ao conteúdo local, para estimular o setor produtivo em favor do desenvolvimento do país. É usar os recursos públicos de forma responsável para atrair investimentos privados”, informou o governo, em nota.

“A política também lança mão de novos instrumentos de captação, como a linha de crédito de desenvolvimento (LCD), e um arcabouço de novas políticas – como o mercado regulado de carbono e a taxonomia verde – para responder ao novo cenário mundial em que a corrida pela transformação ecológica e o domínio tecnológico se impõem”, completa.

O texto traça metas e diretrizes até 2033 a partir de seis missões, ligadas aos seguintes setores:

  • agroindústria;
  • complexo industrial de saúde;
  • infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade;
  • transformação digital;
  • bioeconomia;
  • e tecnologia de defesa.

Autoridades que atuaram na elaboração da política apontam que houve uma preocupação de incluir o poder público em uma posição central do que chamam de neoindustrialização.

Seguindo essa lógica, as empresas nacionais vão ser contempladas com duas iniciativas, linhas de crédito com condições favoráveis, para que possam assumir serviços e obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e também contratos com compras governamentais.

O plano fala em linhas de crédito, subvenções governamentais e subsídios na implementação da proposta de transformação ecológica, mas não detalha os instrumentos nem como isso será acomodado dentro das regras fiscais, cujo cumprimento já tem sido colocado em xeque por economistas.

Entre os instrumentos de contratações públicas para alavancar o desenvolvimento industrial do país, o documento aponta que a Comissão Interministerial de Inovações e Aquisições do Novo PAC irá definir os setores em que se poderá exigir a aquisição de produtos manufaturados e serviços nacionais.

O plano fala que a exigência de conteúdo local no âmbito do Novo PAC será implementada em etapas, “ampliando progressivamente o rol de produtos e serviços sujeitos aos requisitos”, mas o documento não detalha os patamares de partida nem o ritmo de aumento desses requisitos.

O governo também poderá lançar mão de margens de preferência para produtos manufaturados e serviços nacionais. Isso significa que determinados bens e serviços locais terão a preferência de compra pelo poder público, mesmo que seu preço supere o de itens importados concorrentes até um percentual previamente definido.

Em cada uma das missões, o plano traz metas aspiracionais, que servirão como um referencial para direcionar os esforços a serem realizados pelo Estado no desenvolvimento da política industrial brasileira.

Antes mesmo de ser anunciado, a proposta já havia sendo alvo de algumas críticas, por reeditar medidas já adotadas em governos petistas anteriores. O presidente da Frente Parlamentar para o Empreendedorismo (FPE), Joaquim Passarinho (PL-PA) chamou a proposta de “nova política industrial velha”.

“Tudo nessa política é fomento público, é financiamento público, seja BNDES, sejam outros bancos públicos. Na minha opinião particular, há uma contradição, porque o governo diz que precisa de dinheiro, quer arrecadar, arrecadar, arrecadar, quer cobrar mais impostos das indústrias e ao mesmo tempo quer dar financiamento para elas”, afirmou.

O governo Lula, por sua vez, defendeu que a proposta é “moderna” e angariada em experiências que vem sendo implementadas por algumas nações desenvolvidas, como os Estados Unidos e a União Europeia.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disse que o objetivo é implementar um projeto de neoindustrialização com uma indústria “sustentável, forte e inovadora”.

“Baseada em práticas internacionais, a nova política industrial representará melhora na vida das pessoas, aumento da competitividade e da produtividade, mais empregos, inovação e presença no mercado internacional”, afirmou a pasta, em nota. (Marianna Holanda e Renato Machado)

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