Economia

Produção de minério de ferro deve aumentar no Estado

Projetos de expansão das grandes companhias em Minas Gerais indicam que o oferta do insumo siderúrgico tende a crescer em 2026
Produção de minério de ferro deve aumentar no Estado
A CSN Mineração espera atingir um volume de 16,5 milhões de toneladas por ano no complexo Casa de Pedra, em Congonhas | Foto: Alexandre Rezende / Nitro

Impulsionada especialmente pelos projetos de expansão das grandes produtoras, no decorrer dos próximos anos, a produção de minério de ferro em Minas Gerais tende a crescer. A performance das principais mineradoras já deve ter fechado 2025 com avanço.

Entre os exemplos que refletem essas expectativas está a Mina Capanema, no município de Ouro Preto. A nova operação da Vale, inaugurada oficialmente em setembro, adiciona 15 milhões de toneladas (Mt) à produção anual da companhia, sendo peça importante no alcance do guidance de 335 Mt a 345 Mt em 2026, que compreende todo o volume produzido nas operações localizadas no Estado, além das que ficam no Pará.

Em rump-up, com previsão de atingir a plena capacidade no primeiro trimestre de 2026, o empreendimento já vem contribuindo para o crescimento dos resultados operacionais. A empresa espera encerrar 2025 com 335 Mt produzidas, o que, se confirmado, representará um aumento em comparação a 2024, quando chegou a 328 Mt, o maior volume desde 2018.

Outro destaque é a nova plataforma da Gerdau em Ouro Preto, que elevará à capacidade anual de produção da Mina de Miguel Burnier para 5,5 Mt. A operação deve ser iniciada no começo de 2026, com estimativa de conclusão do rump-up em 12 meses. A partir do empreendimento, a companhia passará a vender minério de ferro, disponibilizando 2,5 Mt ao mercado, enquanto destina o restante para consumo próprio, na Usina de Ouro Branco.

A longo prazo, cabe sublinhar a nova unidade de beneficiamento do complexo Casa de Pedra, em Congonhas, da CSN Mineração, que será capaz de produzir 16,5 Mt anuais. Em construção e prevista para entrar em funcionamento no quarto trimestre de 2027, a planta, nomeada Itabirito P15, contribuirá para a mineradora aumentar significativamente a produção, que, neste ano, deve ficar entre 42 Mt e 43,5 Mt (incluindo compras de terceiros).

Também é válido mencionar a retomada operacional da Samarco. O plano foi dividido em três fases, das quais duas já foram concluídas. Com isso, a empresa voltou a operar com 60% da capacidade instalada no final de 2024 e, desde então, vem elevando a produção no complexo de Germano, em Mariana. A companhia tem como meta utilizar 100% da capacidade operacional a partir de 2028, quando finaliza a última etapa do projeto.

Além dessas iniciativas, a Mineração Usiminas (Musa) e a Anglo American são exemplos de mineradoras que estudam expandir a produção em Minas Gerais em um futuro próximo, ao passo que empresas como a Itaminas e a AVG já estão ampliando operações.

Previsão de investimentos no segmento é de US$ 19,6 bi

Com este cenário favorável,, a oferta de minério de ferro em Minas Gerais deve subir nos próximos anos. Para isso, vultosos investimentos já foram e ainda serão realizados.

Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que, entre 2025 e 2029, o setor mineral estima investir US$ 19,6 bilhões em projetos relacionados a essa commodity no Brasil. Não há recorte da cifra por unidade federativa, mas sabe-se que parcela relevante será destinada tanto ao território mineiro quanto ao paraense, dois grandes polos minerais.

Produtoras da commodity podem obter bons resultados em 2026

Olhando para o desempenho que as mineradoras podem apresentar em 2026, o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, acredita que a demanda mundial por minério de ferro seguirá estável, com o preço médio do produto com 62% de teor girando em torno de um piso de US$ 100 por tonelada (t), podendo beneficiar as empresas instaladas no Brasil. “Se minhas expectativas para o preço se confirmarem, aguardo bons resultados, com forte geração operacional de caixa, principalmente da Vale”, analisa.

Já o economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, avalia que o patamar de US$ 100/t deve continuar como referência, mas o cenário-base aponta para um viés de baixa na média do ano, salvo surpresas positivas do lado da demanda. Na visão dele, a performance positiva tende a se concentrar em companhias com características específicas. “A tese de bons resultados em 2026 é mais provável para aqueles players que combinam escala, baixo custo e qualidade, aliados a um bom aparato logístico”, afirma.

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