Ovos de Páscoa chegam às prateleiras de Belo Horizonte dois meses antes da data
A Páscoa, domingo em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus, cairá em 5 de abril neste ano. Símbolo da festividade, os ovos de chocolate já podem ser encontrados em lojas de Belo Horizonte, exatamente dois meses antes da data, embora em pequena quantidade (entenda abaixo), como foi flagrado pelo Diário do Comércio no supermercado EPA do bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste de BH.
A situação é uma relativa novidade, na análise do administrador do site de pesquisas Mercado Mineiro e aplicativo comOferta.com, Feliciano Abreu. Segundo ele, trata-se de uma estratégia de mercado criada por indústrias menores de chocolate com o varejo para antecipar vendas. A ideia é não competir com as grandes marcas, quando essas chegarem aos pontos de venda, provavelmente após o Carnaval.
“A gente já detectou isso: são marcas menos conhecidas em exposição, sem as grandes, e é uma estratégia relativamente nova executada entre indústrias e varejo, pelo menos desde o ano passado. A estratégia é justamente chegar mais cedo, antecipando vendas, enquanto as maiores marcas não chegam. Assim, a criança vê, pede para os pais, que acabam cedendo e comprando, até porque são marcas mais baratas. É também uma forma de divulgação (do período de ovos) para o varejo”, avalia Abreu.

Antecipação também tem ligação com a data em que a Páscoa é celebrada
A economista da Fecomércio MG Gabriela Martins afirma que, em anos em que o feriado de Sexta-feira Santa é antecipado, caindo em março ou início de abril, como no caso de 2026, a venda dos ovos pode ser iniciada “já em janeiro”.
“Essa movimentação se deve, principalmente, à intenção do empresário em atrair o consumidor para a compra. Como a Páscoa deste ano acontece antes do quinto dia útil do mês (dia que boa parte da população recebe seus salários) e muitas pessoas deixam para fazer suas compras de última hora, a estratégia de expor esses produtos com antecedência permite que as famílias possam planejar suas compras, pesquisar preços e até mesmo antecipar ou realizar compras por impulso”, explica Gabriela Martins.
Além disso, a especialista ressalta que, em mercados onde o consumidor está cauteloso com o próprio orçamento, a possibilidade de comprar os ovos mais cedo funciona como um auxílio, que reduz a sensação de impacto concentrado nas dívidas.
Ovos de chocolate só depois da folia

Na loja Rei do Chocolate, criada há 49 anos e instalada à rua dos Tupis, 324, no Centro de BH, a venda de ovos industriais de Páscoa já não é mais prioridade, mas ainda existe e inicia apenas uma semana após o Carnaval – a data certa, portanto, depende do calendário da folia. “A demanda (por ovos) caiu demais, especialmente pelo preço do produto. Então, os ovos, em si, a gente praticamente não trabalha. Nosso foco são as formas e embalagens, além do chocolate, para as pessoas produzirem seus ovos”, conta o vendedor do estabelecimento, Marcelo Carvalho.
No ramo de ovos artesanais, a empresária Dirlaine Barros mantém a Pedacinho Di Amor Confeitaria há 11 anos. Ela ainda não começou a produzir o presente pascoal, mas trabalha na definição do cardápio, que será divulgado em 8 de março no Instagram da loja. “Estou fazendo pesquisas de sabores e de embalagem. Vendemos ovo tradicional, mas nosso foco é o ovo de colher. Neste ano, quero investir na novidade ‘ovo de seis sabores’, que inclui nosso maior sucesso, que é o brigadeiro de chocolate meio amargo, além de outros, como leite em pó com frutas vermelhas e cravejado de amendoim e caramelo salgado, tudo no mesmo ovo”, antecipa.
Dirlaine Barros relata que não iniciou a comercialização antecipadamente porque, em geral, o público acaba fazendo os pedidos na semana da data religiosa. “Não sei se é um costume de deixar para em cima da hora, ou se é porque nossos clientes sabem que temos a pronta-entrega, mas nossas vendas acabam ocorrendo na última hora”, completa. O estabelecimento da doceira fica na rua Dom Geraldo Fernandes Bijos, 699, no bairro Santa Helena, em Contagem, na região metropolitana de BH. A empresária faz entregas para Capital também.

Quantidade de ovos em exposição tem caído ao longo dos anos
A quantidade e a diversidade de ovos de Páscoa em exposição nos mercados tem caído ao longo dos últimos anos. É o que afirma o administrador do site de pesquisas Mercado Mineiro e aplicativo comOferta.com, Feliciano Abreu. Segundo ele, se no passado os chocolates ovais vinham com brinquedos e em variedade de opções, hoje as grandes marcas têm priorizado a exposição de rótulos mais famosos e mais simples, que oferecem alguma ‘garantia’ de venda.
“Muitas pessoas passaram a substituir os ovos com brinquedo por uma barra ou caixa de chocolate juntamente com um brinquedo, e notaram que a conta final acabava saindo mais barata do que o ovo. Para 2026, temos que aguardar para ter uma previsão do mercado, pois as barras e as caixas subiram de preço”, completa o administrador. Uma pesquisa de preços de ovos em BH será feita pelo Mercado Mineiro após o Carnaval.

De acordo com a economista da Fecomércio MG Gabriela Martins dois fatores principais ajudam a entender a menor presença de ovos em exposição no varejo: o preço do produto em si e a expectativa de baixa demanda do mercado consumidor.
“Como primeiro ponto, o cacau, principal matéria-prima para a fabricação do chocolate, apresentou altas muito expressivas nos últimos anos, em especial em 2025, o que elevou substancialmente o preço do produto para o consumidor final”, pontua. Neste ano, o preço do fruto começou a cair. “Apesar dessa queda recente, o custo da matéria-prima continua alto, refletindo ajustes de mercado e inércias na cadeia”, afirma a economista.
Em seguida, Gabriela Martins contextualiza que o planejamento de compra e distribuição dos ovos pode começar até nove meses antes da Páscoa, no caso das grandes redes. Nessa fase, os varejistas ajustam suas compras com base nas expectativas de venda e espaço de gôndola. “Se há incerteza sobre a demanda, as compras podem ser mais moderadas”, destaca a especialista.
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