Economia

Páscoa mais cara: por que o chocolate subiu e como economizar

Preços de chocolates seguem elevados, impulsionados pela alta do cacau e custos de produção, mas há maneiras de celebrar sem estourar o orçamento
Páscoa mais cara: por que o chocolate subiu e como economizar
Foto: Reprodução Adobe Stock

“Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim: um ovo, dois ovos, três ovos assim…”. Se depender dos preços, a sacolinha do coelhinho tende a não ser tão recheada neste ano. Mesmo com a recente queda nas cotações internacionais do cacau, os preços de ovos de Páscoa, barras de chocolate e caixas de bombons continuam elevados.

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o chocolate em barra e os bombons registraram alta de 24,77% nos últimos 12 meses até janeiro, bem acima da inflação geral no período.

O aumento ocorre porque o setor trabalha com planejamento e contratos antecipados para a compra da matéria-prima. Assim, grande parte dos ovos de chocolate vendidos nesta Páscoa ainda foi produzida com cacau adquirido quando os preços estavam mais altos no mercado internacional.

“O consumidor precisa entender que a indústria se organiza com antecedência. Muitas empresas compraram cacau quando as cotações estavam muito elevadas, e esse custo ainda aparece no preço final”, explica o professor de Ciências Contábeis da Estácio BH, Alisson Batista.

O encarecimento do chocolate está ligado a uma combinação de fatores globais e domésticos. Em 2024, por exemplo, o preço do cacau chegou a ultrapassar US$ 10 mil por tonelada, mais que o triplo da média histórica.

Entre os principais motivos estão:

  • Quebras de safra na África Ocidental: principalmente na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial.
  • Doenças nas lavouras e eventos climáticos extremos: como o fenômeno El Niño.
  • Aumento de custos industriais: energia, transporte e embalagens, por exemplo.
  • Valorização do dólar: encarece a importação do cacau.

Mesmo com a recente queda da commodity para níveis próximos de US$ 5 mil por tonelada, o alívio ainda demora a chegar ao consumidor. “Existe uma defasagem entre o preço internacional e o valor nas prateleiras, porque a indústria trabalha com estoques e contratos futuros”, afirma Batista.

Além disso, os ovos de Páscoa têm custos adicionais de embalagem especial, marketing e logística, o que faz com que sejam mais caros que outras formas de chocolate.

Mesmo com o cenário de alta, algumas estratégias podem ajudar o consumidor a gastar menos sem abrir mão da tradição, como:

  • Pesquisar preços: em supermercados, atacarejos e lojas on-line, pois o mesmo produto pode variar mais de 50%.
  • Definir um orçamento: é importante que seja feito antes das compras para evitar gastos impulsivos.
  • Comparar preço por grama: não observe somente o valor total do produto.
  • Substituir ovos de Páscoa por barras de chocolate ou caixas de bombons: esses itens costumam ser mais baratos.
  • Produzir ovos caseiros: é uma alternativa que pode reduzir custos e ainda criar momentos em família.
  • Comprar após a Páscoa: é o momento de aproveitar que muitos produtos entram em liquidação.

“O momento exige planejamento. Evitar compras por impulso e comparar alternativas pode gerar uma economia significativa”, ressalta o especialista.

Por fim, outra possibilidade é buscar marcas regionais ou produtores locais, que muitas vezes oferecem chocolate de qualidade semelhante a preços mais acessíveis. Também é possível organizar compras coletivas com amigos ou familiares para aproveitar descontos maiores.

“No fim das contas, o importante é manter o espírito da Páscoa sem comprometer o orçamento. Com organização e pesquisa, é possível celebrar a data gastando menos”, conclui o professor.

Colaborador

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