Pequenos negócios abrem 1,7 mil vagas em janeiro em Minas Gerais, mas ritmo é mais lento
O número de pessoas admitidas com carteira assinada pelas micro e pequenas empresas em Minas Gerais superou o número de desligamentos, gerando um saldo positivo de 1.771 contratações em janeiro deste ano no Estado. No entanto, o saldo de janeiro é 57,7% menor que o saldo do mesmo período do ano passado, quando a diferença entre admitidos e desligados foi de 2.794. É o que mostra o levantamento do Sebrae, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Em janeiro deste ano, as micro e pequenas empresas admitiram 117.494 trabalhadores, enquanto 115.723 foram desligados. Já no primeiro mês do ano de 2025, foram 126.624 admissões, contra 123.830 demissões. Dessa forma, não só o saldo, mas o número de admissões também foi menor de um ano para o outro, queda de 7,2%.
De acordo com o professor de Economia do Ibmec, Renan Silva, a queda no volume de contratações e do saldo de contratações, significa uma perda de fôlego da economia. “Os números sugerem que o mercado está operando com menos vigor. O empresário demonstra maior cautela antes de abrir novos postos de trabalho”, disse.
Segundo Silva, fatores macroeconômicos, como taxas de juros que encarecem o crédito para o pequeno empresário e uma moderação no consumo das famílias, fazem com que as empresas segurem planos de expansão. “O mercado está se ajustando a um ritmo de crescimento mais modesto do que o observado em 2025”.
Entre os pequenos negócios, as empresas do setor de serviços foram as que mais geraram oportunidades em janeiro deste ano, ao todo foram 45,7 mil contratações formais. Em seguida aparecem os setores de comércio e indústria da transformação, com 36,1 mil e 19,3 mil contratações, respectivamente.
Apesar do bom desempenho desses setores, o saldo de empregos não teve um resultado positivo para os negócios do comércio. Nesse setor, foram 39,7 mil demissões contabilizadas no período analisado, gerando um saldo negativo de 3.646 desligamentos.
Nesse caso, o professor do Ibmec alega que o motivo principal é a sazonalidade. Segundo ele, janeiro é tradicionalmente o mês de “ajuste” no varejo, marcado, principalmente, pelo encerramento dos contratos temporários firmados para as vendas de Natal e Ano Novo. “Como o movimento nas lojas cai drasticamente após as festas, o setor realiza essas demissões em massa para reequilibrar as contas”.
As empresas do setor de indústria da transformação foram as que apresentaram o maior saldo positivo do mês, gerando 2.541 postos de trabalho. Seguidas pelos negócios do setor de construção civil que apresentou saldo de 1.940 e das de serviços, saldo de 415.
Na avaliação de Silva, é no início do ano que as empresas repõem os estoques e planejam a produção que será distribuída ao longo do primeiro semestre. “Como a indústria trabalha com horizontes de tempo mais longos, ela é menos afetada pela ‘ressaca’ imediata das vendas de final de ano que atinge o varejo”, explica.
Quanto ao setor de serviços, apesar do saldo menor, Silva comenta que o resultado representa a resiliência e a força estrutural do setor. Diferente do comércio, que depende de estoques e datas específicas, o setor de serviços (que inclui saúde, educação e tecnologia) atende demandas contínuas. “Conseguir um saldo positivo em um mês de ajustes gerais mostra que este setor é o motor mais estável da empregabilidade em Minas Gerais”, conclui.
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