Economia

Petrobras permite que alta de 55% do QAV seja paga em parcelas por distribuidoras

Petrobras permite que alta de 55% do QAV seja paga em parcelas por distribuidoras
Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Petrobras permitirá que distribuidoras parcelem o aumento de 54,8% nos preços do querosene de aviação (QAV) anunciado para abril, e informou que uma medida semelhante poderá ser adotada em maio e junho, informou a petroleira estatal em comunicado nesta quarta-feira (1).

A medida visa mitigar o efeito do aumento de preços sobre os clientes da companhia, ao mesmo tempo em que preserva a “neutralidade financeira” para a Petrobras. Mais cedo, companhias aéreas alertaram para consequências “severas” do reajuste sobre o setor de aviação.

A iniciativa permite que distribuidoras que abastecem a aviação comercial tenham um reajuste menor, de 18%, em abril, informou a companhia, acrescentando que o valor restante poderá ser pago em seis parcelas a partir de julho.

A Petrobras, maior produtora de petróleo do Brasil e responsável pela maior parte da atividade de refino no país, ajusta os preços do querosene de aviação no início de cada mês com base em fatores como as cotações internacionais do petróleo e as taxas de câmbio, conforme o previsto em contratos.

O aumento de aproximadamente 55% previsto para abril reflete a alta dos preços globais do petróleo, associada à escalada de conflitos no Oriente Médio.

Mais cedo, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou em nota que o reajuste teria “consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”.

“Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível (QAV) passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas”, disse a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) em nota.

DEMANDAS DO SETOR

A Abear reiterou sua defesa da implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, uma vez que grande parte do consumo do combustível é atendida por produção interna.

“Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas”, afirmou.

O Brent, referência internacional do petróleo, subiu de cerca de US$70 por barril no fim de fevereiro para cerca de US$118 por barril no fechamento de terça-feira. O conflito se espalhou pelo Oriente Médio desde que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã começaram em 28 de fevereiro.

Em nota enviada à Reuters na terça-feira, o Ministério dos Portos e Aeroportos disse que enviou uma proposta ao Ministério da Fazenda, à Casa Civil, ao Ministério de Minas e Energia e à Petrobras com medidas voltadas à mitigação dos impactos da elevação do preço internacional do petróleo sobre o setor aéreo.

De acordo com o órgão, a proposta sugere a redução da alíquota do PIS/Cofins sobre o QAV, a redução da alíquota do IOF incidente sobre empresas aéreas e a redução da alíquota do Imposto de Renda incidente sobre o leasing de aeronaves, além de outras medidas que ainda estão em fase inicial de discussão.

Conteúdo distribuído por Reuters

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